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Entrevista Giorgio Barbier – A nova era do MotoGP

Fernando Neto Por Fernando Neto
9 Junho, 2026
em Artigos, Competição
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Giorgio Barbier – Diretor da Pirelli Competição

A Pirelli vai estar no MotoGP a partir de 2026, após 23 anos nas SBK. Impunha-se ouvir da boca do seu diretor para a competição, Giorgio Barbier, como estão a encarar essa mudança no seio da empresa italiana.

POR Paulo Araújo  •  Fotos Paulo Araújo, BMW Motorrad, WSBK

Revista MOTOS (RM) Tantos anos na SBK, tantos sucessos… e agora um novo desafio com a MotoGP. Como fazer para dividir todos os recursos e equilibrar estas duas categorias em dois paddocks?

Giorgio Barbier (GB) Bem, na verdade só há uma época de sobreposição, que é a próxima, a de 2026… Vamos estar em dois paddocks este ano e o próximo, depois vem para aqui outro fabricante (a Michelin). Aqui, continuaremos a fazer o trabalho que sempre temos feito, até porque queremos deixar a categoria, digamos, “pronta” para o próximo fabricante. Depois de 23 anos de pneu de controlo único, perguntarão, o que fez a Pirelli? Portanto, participámos na evolução, no desenvolvimento do campeonato, o que nos deu imensas possibilidades de trabalhar para melhorar o nosso produto  de venda ao público, portanto, vamos continuar a fazer isso mesmo! Para a MotoGP, seguiremos o percurso de testes e desenvolvimento das motos de 2027, e portanto, vamos acabar por trabalhar só para as motos de 850 cc no futuro. Se vão servir o mesmo tipo de pneus, é uma coisa que devemos verificar e aprender, pouco a pouco, gradualmente, à medida que decorrem os testes de desenvolvimento. O primeiro teste que organizámos em Misano foi muito positivo, em termos da preparação e dos materiais que tínhamos preparado. Portanto, tínhamos feito duas medidas especiais para a MotoGP, em princípio um 4 dianteiro e um para a roda traseira de 16,5”, porque o pneu traseiro é uma medida maior do que a que utilizamos nas SBK… A aceitação foi muito boa, portanto agora vamos prosseguir trabalhando aquele nível…  Em termos industriais, a nível dos processos de fabrico, é muito semelhante, a nossa experiência é que os pneus não serão muito diferentes… e a nossa ideia permanece que deve ser um produto que, de qualquer modo, possa ser sustentável do pontos de vista económico, mas que ao mesmo tempo tenha um bom desempenho.

RM: Do ponto de vista do desempenho, a diferença até já nem é assim tão grande…

GB: Sabes, as motos (de 2027) serão muito diferentes, porque serão menos potentes, mais leves, com menos aerodinâmica, portanto será uma reviravolta… No geral, serão menos velozes nas retas longas, mas as velocidades em curva até poderão aumentar… Depois, também vai depender muito da atitude que os pilotos tiverem em adaptar-se a um novo tipo de borracha, que provavelmente vai exigir uma condução um pouco diferente naquele tipo de motos… A grande diferença em relação às SBK é que na MotoGP, sendo protótipos, há imensas coisas que o fabricante pode fazer para adaptar a moto aos pneus, enquanto que nas SBK, somos sempre nós que temos de adaptar o pneu aos limites das motos! Certamente, vai ser preciso trabalhar muito em concerto com os fabricantes, é importantíssimo para desenvolver os pneus, considerando que é só um ano de adaptação, vai ser tudo muito rápido. No nosso mundo, um ano não é nada, é rapidíssimo, e as marcas ainda vão estar empenhadas em fazer a sua época de 2026 com as motos de 1000 cc atuais, dedicadas ao campeonato, portanto, vão trabalhar nisso como prioridade e a evolução das 850 vai acontecer em paralelo, em testes. Haverá um pouco menos motos, menos fabricantes, são cinco marcas em vez de seis, mas sabes, com o nível de investimento, de potencial que está em jogo, as marcas vão ter de trabalhar muito, porque têm que criar uma moto completamente diferente que a partir de 2027, seja capaz de vencer o mundial, partindo do zero, todas iguais.

Quanto tempo levarão a estar ao mesmo nível? Quem sabe! Falando com a experiência que tenho de competição, são 43 anos que levo neste mundo… A primeira vez que estive aqui, no Estoril, foi a ver a primeira vitória do Ayrton Senna, à chuva… e posso dizer que, cada vez que se impuseram limites, nunca demorou muito até estarmos de novo ao mesmo nível de desempenho. A seguir, descobriram maneiras de dar a volta, mudam coisas, adaptam, evoluem, e nós na Pirelli faremos a nossa parte no desenvolvimento, em aumentar o desempenho destas novas motos! Neste momento (a mudança) se calhar até implica menos estrutura, porque já estamos no Paddock da MotoGP com as Moto2 e Moto3, e a nossa presença foi muito importante para ir conhecendo o ambiente, aquele mundo, e também para mostrar como trabalhamos, porque antes trabalhava-se de um modo muito diferente, em comparação com a Pirelli. Portanto, nas SBK, mudámos o sistema, mas os resultados apareceram, com os tempos que baixaram, as velocidades em prova melhoraram, menos quedas, menos problemas, uma qualidade uniforme… isto trouxe uma equalização no paddock das SBK que foi muito bem recebida, e agora temos de fazer o mesmo para a MotoGP… A Pirelli trouxe uma filosofia de um pneu para todos, idêntico, no tempo em que as outras marcas traziam pneus especiais como bagagem de mão à última hora para este ou aquele piloto…

Claro que a credibilidade do trabalho que criámos aqui nas SBK queremos levar connosco para a MotoGP e antes de mais, somos reconhecidos por manter esse nível, essa uniformidade de tratamento com todos! De resto, queria dar parabéns aos recém-coroados Campeões do Mundo, Razgatlioglu, Fernández e Herrera, que conquistaram os títulos nas respetivas categorias. No WSBK, assistimos a uma temporada incrivelmente disputada, decidida na corrida final. Foi uma temporada excecional, em que o Razgatlioglu aproveitou ao máximo todas as opções de pneus que oferecemos e, muitas vezes, fez escolhas diferentes em comparação com o resto da grelha, por isso mereceu totalmente o título. O seu estilo de condução é único e estamos orgulhosos de o ter apoiado com sucesso com opções que corresponderam às suas expectativas. O mesmo se passa com o Bulega, que manteve o campeonato vivo até à última corrida e terminou apenas a 13 pontos, demonstrando uma determinação notável e um nível de competitividade muito elevado. Na nossa perspetiva, terminámos a época de 2025 com resultados verdadeiramente significativos para as nossas soluções de desenvolvimento. Já agora, gostaríamos de nos despedir de Jonathan Rea, com quem partilhamos uma carreira extraordinária no WorldSBK, coroada por seis títulos mundiais!

Tags: entrevistaGiorgio BarbierMotoGPmotosPirelliRevista MotosWSBK

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