As pessoas adultas são, digamos, um bocado chatas! Passam o tempo demasiado sérias, a trabalhar e a pensar em trabalho! Lembro-me perfeitamente de pensar isto há uns bons anos atrás, e agora chego à conclusão que é mesmo verdade. Também existe uma série de vantagens, muitas, mas por acaso agora não me lembro de nenhuma. Mas até dá estilo ser “cota” e ter de esticar o braço para conseguir ler o menu do restaurante, caso contrário o desfoque é total. Mentira, dá zero estilo, portanto não façam como eu.
Tudo isto serve como desabafo por ter cumprido 45 anos de idade no passado fim de semana. “O tempo passa a correr” é outra das expressões que ouvíamos quando éramos novos, e que agora repetimos vezes sem conta. Parece um bocado ridículo sentirmos isto, pois o dia continua a ter 24 horas, como sempre, e também é um bocado parvo repetirmos isto frequentemente, mas acho que faz parte do processo (seja ele qual for), e mais tarde os nossos filhos irão dizer o mesmo.

Então e agora que fiz 45 anos, vou-me armar ao pingarelho e comprar finalmente a moto super desportiva com que sonhei toda a vida, ou vou-me render às evidências e adquirir uma maxi-scooter ou uma custom americana? Bom, o que eu gostava mesmo era de ter era um hypercarro de luxo, daqueles que custam centenas de milhares de euros. Com um assento rente ao chão e portas tipo “asas de gaivota”, para ter tantas dificuldades ao sentar-me como a sair dele. Se calhar vou deixar isso para daqui a mais 10 anos, quando conseguir amealhar mais uns trocos e a crise de meia idade me der para isso, antes de me render finalmente aos navios cruzeiros pelo sul do mediterrâneo!
Bem, se calhar chega de ironia. Antes que algum leitor pare de ler a meio e diga à esposa que “Maria tens razão, o senhor da Revista Motos também diz que aos 45 anos o melhor é vender a moto e comprar um passe da Carris”.
Tal como se costuma dizer (aqueles ditados que os mais velhos dizem), a idade é apenas um número, por isso mantenham-se de mente e espírito aberto e continuem a desfrutar das vossas motos, sejam elas scooters, desportivas ou custom, tenham vocês 40, 50 ou 60 anos. Não se esqueçam é de ir renovando a carta, pois já percebi que é algo que pode começar a ser um verdadeiro “pincel” com o passar do tempo. E se também têm de esticar o braço para ler o menu do restaurante, então marquem uma consulta no oftalmologista. E se ficam com o braço dormente de cada vez que andam de moto, então também é melhor verem isso… Depois de finalmente irem ao médico para aquela consulta que vos estão a aconselhar há 2 anos, vão ver como se calhar, até ficam com saúde para mais três ou quatro décadas a andar de moto! 😉
E agora vou calçar as pantufas e colocar a manta pelas pernas. Este inverno está a ser lixado!
Boas curvas!
Fernando Neto



