2026 é um ano muito importante para a Indian Motorcycle. Em primeiro lugar porque esta, que é a marca americana mais antiga de motos, está a comemorar 125 anos de vida, e depois, porque deixou de pertencer ao grupo Polaris, o que pode abrir boas perspetivas de futuro com uma maior “independência”. Para já, realizou uma apresentação internacional em Espanha com a novíssima Chief Vintage, uma moto que, ainda antes de andarmos com ela, já dava vontade de trazer uma para a nossa garagem!
POR Fernando Neto • Fotos Indian Motorcycle

Sim, os olhos também comem, e muito, e quem disser que não, está a mentir! É por isso que recebi vários comentários de amigos meus, que nem ligam a motos, mas que ficaram realmente “babados” com as fotos que fui colocando da Vintage nas redes sociais. Por isso, penso que foi uma boa jogada, por parte da Indian Motorcycle, em começar por lançar neste ano tão importante, uma moto que é praticamente consensual para toda a gente! É linda, boa de andar (já lá vamos), e dá vontade de ter uma em casa. Também por isso, como devem imaginar, a apresentação técnica desta moto foi diferente do que normalmente assistimos com marcas europeias ou japonesas: aqui o principal não são os avanços tecnológicos (que também existem obviamente), mas sim toda a história e carisma de modelos do passado, retratados agora nesta Chief Vintage. É que na década de ’40 a marca americana já possuía este modelo na gama, e 80 anos depois tanto a moto antiga como a nova permanecem belíssimas, e isso é incrível. E para abrilhantar ainda mais uma apresentação que foi do agrado dos jornalistas por termos tido tempo para tudo o que gostamos (andar de moto, fazer vídeos, conversar tranquilamente com os responsáveis da marca e beber um copo no bar), ainda tivemos a companhia ao jantar no último dia de Mike Kennedy (ver caixa), com quem falámos sobre diversos temas. Excelente!

Simplicidade
A Indian Motorcycle refere então que esta é uma lenda renascida, e por isso havia que manter algumas características importantes. Falamos dos guarda-lamas icónicos e que cobrem boa parte das rodas dianteira e traseira, do assento monolugar flutuante (embora possamos aceder aos acessórios da marca para tornar esta moto acessível a condutor e passageiro, com a devida homologação) e da cor vermelha bem tradicional na marca. Também não falta a cabeça de Índio iluminada no guarda-lamas e é claro, a beleza e acabamentos do imponente Thunderstroke, um V2 de refrigeração por ar capaz de oferecer um binário máximo de 156 Nm (a potência não é declarada mas deverá rondar os 92 cv) para excelentes sensações. Também ficámos a saber que a marca preferiu moldar esta Chief Vintage em argila durante o seu desenvolvimento – como sempre se fez outrora – em vez de se usar simplesmente programas de design, que são muito bons mas não permitem observar desde logo a moto em tamanho real.



Em termos de instrumentação, a escolha recaiu no já conhecido painel tátil e redondo de 4 polegadas, com o sistema Ride Command, com diversas funcionalidades, inclusivamente sistema de navegação por GPS. Possui conexão por Bluetooth e o sistema para este ano, nos diversos modelos onde está instalado, está mais rápido em 25% ao iniciar-se. São 3 os modos de condução, num modelo que beneficia da ignição sem chave e que também possui iluminação LED e sistema de cruise control.


Quanto aos acessórios, são diversos e para todos os gostos. Alguns puramente estéticos, enquanto outros poderão tornar uma moto realmente simples numa interessante turística através da inclusão de para-brisas e alforges laterais.
Em estrada
Na minha cabeça ecoava a pergunta: “Será que depois de andar na Chief Vintage vou continuar a ter vontade de ter uma”? A experiência decorreu nas montanhas em redor de Benidorm, num dia felizmente sem chuva, e a resposta já a tinha na cabeça. “Mesmo que a dinâmica não seja espetacular, continuaria a não me importar mesmo nada de ter uma”! Após cerca de 80 km percorridos (fizemos outros tantos com uma Sport Chief RT, sobre a qual falaremos mais tarde), a avaliação foi bastante positiva, embora sem deslumbrar. Acima de tudo a Chief Vintage é muito agradável de conduzir e a posição de condução é a correta, mesmo com a perna a tocar na tampa esquerda enquanto a direita encosta no depósito. E o assento tipo sela, ou bandeja – como preferirem chamar – que possui uma camada mínima de espuma pois os responsáveis da marca não queriam estragar a estética, acaba por ser mais confortável do que esperávamos, não chegando a incomodar nada após uma manhã de condução. Uma moto com muito binário, como seria de esperar, mas que merecia naturalmente outro sistema de escape menos abafado para o motor Thunderstroke “respirar” melhor e para o som ser também mais emotivo. Ainda assim, existem formas de melhorar a capacidade sonora, como pudemos ver numa unidade que estava em circulação. As suspensões funcionam bem, sendo também os amortecedores traseiros peças de design, embora a travagem dianteira seja apenas suficiente. Somente um disco na dianteira e pinças simples não fazem milagres, por isso é necessário ajustar sempre com o pedal traseiro.

E usamos facilmente o pedal traseiro porque as plataformas para os pés são grandes, pelo que temos liberdade para escolher se queremos os pés mais para diante ou para trás. A parte menos positiva é que estas plataformas raspam em curva com bastante facilidade e é importante não nos esquecermos disto se nos entusiasmarmos numa zona de curvas. Uma Chief Vintage que é bem pesada, mas que se movimenta bem, e em que preferimos usar sempre o modo Sport para uma melhor resposta. Achamos que o software da instrumentação continua algo lento quando ligamos a moto, mesmo com as melhorias, e no geral, foi uma manhã muito agradável aos comandos desta moto. Só temos pena que, quando a estamos a conduzir, pouco podemos apreciar da sua estética, e talvez por isso tenha sido uma das apresentações em que mais tenhamos olhado para os outros jornalistas na estrada. Seja em vermelho ou em preto, é uma moto que vale a pena ver ao vivo e, já agora, fiquem atentos pois nós vimos mais algumas máquinas americanas hotel que, por estarem sob embargo, ainda não podemos falar delas. É um ano de 2026 em cheio para a Indian Motorcycle, e ainda só vamos no início!

Mike Kennedy esteve presente
Com a saída da Indian Motorcycle do grupo Polaris, num acordo realizado com a Carolwood LP, foi um amante das motos, e com muitos anos na área, que se tornou o novo CEO da marca. O seu nome é Mike Kennedy e estivemos à mesa com ele em Benidorm. Descontraído, mas muito focado, quis falar com os jornalistas presentes e não deixámos de realizar algumas perguntas. Muito resumidamente, Kennedy está muito orgulhoso de ficar com a Indian no ano dos seus 125 anos de vida.

Refere que é uma marca de apaixonados por motos, por parte de todos os seus funcionários, e que não descarta no futuro de entrar noutros segmentos de mercado, mas que para já pretende simplificar um pouco a gama e continuar a dar destaque às motos em que a Indian tem mais tradição e as faz melhor. Pretende manter as fábricas nos EUA e na Polónia (desistindo da do Vietname) e quer limar arestas e simplificar processos na relação com os concessionários, referindo que é necessário abrir mais uma série deles um pouco por todo o mundo. Humilde e com muita vontade de fazer mais e melhor, prevemos bastante sucesso nesta “parceria” entre Mike Kennedy e a Indian Motorcycle!
ficha técnica
Indian Chief Vintage
Motor Dois cilindros em V Thunderstroke 116, refrigerado por ar
Cilindrada 1.890 cc
Potência Máxima n.d.
Binário Máximo 156 Nm às 3.300 rpm
Embraiagem Multidisco em banho de óleo
Final Por correia
Caixa 6 velocidades
Quadro Tubular em aço
Suspensão Dianteira Forquilha telescópica de 46 mm, curso de 132 mm
Suspensão Traseira Duplo amortecedor, curso de 75 mm
Travão Dianteiro Disco de 298 mm, pinça de 4 pistões
Travão Traseiro Disco de 298 mm, pinça de 2 pistões
Pneu Dianteiro 130/90 B16
Pneu Traseiro 150/80 B16
Comprimento Máximo 2.441 mm
Largura Máxima 887 mm
Distância entre eixos 1.626 mm
Altura Máxima 1.175 mm
Altura do Assento 686 mm
Depósito 15,1 litros
Peso (a cheio) 327 kg
Cores Indian Motorcycle Red / Black Metallic
Garantia 3 anos (+2 anos opcionais)
Importador Carolwood LP
PVP desde 20.990€
PONTUAÇÃO
Indian Chief Vintage
Estética 5
Prestações 4
Comportamento 3,5
Suspensões 4
Travões 3
Consumo 3,5
Preço 3



