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Contacto Honda CRF 300 Rally – O unicórnio japonês

Fernando Neto Por Fernando Neto
31 Julho, 2026
em Motomais, Testes
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Numa altura em que se fala tanto de “unicórnios”, a Honda tem na sua gama aquela que eu considero ser, desde há muito tempo, a personificação perfeita desse conceito aplicado às motos, a CRF Rally! Se a versão quarto de litro já reclamava para si muitas atenções, esta evolução responde a muitas das demandas do seu público fiel. A melhor versão de sempre da CRF Rally está aqui e parece que veio para ficar!

POR Domingos Janeiro  •  Fotos Paulo Calisto

Depois de um compasso de espera maior que o esperado (fruto de alguns atrasos na produção), eis que chegou a hora de deitarmos as mãos à tão aguardada Honda CRF 300 Rally. Tão aguardada porque as anteriores gerações assumiram-se como uma aposta ganha em todas as vertentes, como na estética, ciclística, conforto e até economia, mas faltava, para muitos dos utilizadores, algo mais. E foi nesses pontos que a Honda se focou para fazer evoluir a sua Rally, enquadrando-a com as mais recentes exigências, num segmento onde começam a proliferar concorrentes. Assim, a nova moto de aventura da Honda passou a “vestir” um quadro mais leve, instalou umas suspensões com maior curso e o motor passou a cumprir com as mais recentes normas Euro5+ sem perder atitude, uma vez que a cilindrada subiu dos 249 para os 286 cc. Já a caixa de seis velocidades, que é autêntica “manteiga” também foi revista, com relações mais curtas, às excepção da sexta, que passou a estar mais longa a pensar nas viagens em auto-estrada.

Motor mais enérgico

Uma das grandes novidades nesta nova atualização é sem dúvida alguma o motor, que como já referimos viu a cilindrada subir até aos 286 cc, com um curso também maior (agora de 63 mm e antes de 55 mm), mantendo-se o diâmetro nos 76 mm. Esta evolução foi o pretexto ideal para cumprir com duas exigências, por um lado aumentar a potência e por outro cumprir com as normas Euro5.

O monocilindrico é refrigerado por líquido, tem duas árvores de cames à cabeça com quatro válvulas, debitando 27,3 cv de potência às 8500 rpm e um binário de 26,6 Nm às 6500 rpm. Na verdade as cifras de potência não são muito maiores face às anteriores, mas no conjunto, contando com as melhorias na ciclística, deu aquele “boost” de potência tão desejado por todos. Também já foi supra referida a leveza da caixa, que tem que ver também com a nova embraiagem deslizante que permitiu reduzir de forma colossal (cerca de 20%) o esforço necessário na manete. A caixa de seis velocidades viu as relações da primeira à quinta serem encurtadas, enquanto a sexta foi alongada.

Ciclística apurada

A linhagem da Rally vai-se apurando ao longo dos tempos e neste caso, a contribuir para isso temos o novo quadro tubular redesenhado, que pesa menos 2,2 kg (no total a redução de peso fixa-se nos 4 kg) e viu a rigidez ser alterada, principalmente menos 25% nas zonas laterais para beneficiar a condução fora de estrada. Com todas estas alterações, ganhámos em altura ao solo, agora 275 mm onde antes era de apenas 255 mm. Novidades também ao nível da geometria da direção que foi revista e as suspensões brindam-nos agora com maior curso ( +10 mm na frente e atrás) elevando ainda mais as suas capacidades off-road. Embora parada pareça muito alta, a verdade é que o assento mantém os 890 mm ao solo, e como as suspensões são mais para o permissivo que para o duro, a moto tende a baixar permitindo-nos chegar com ambos os pés ao solo, transmitindo assim, de forma imediata, maior confiança. Se ainda assim não se sentirem confortáveis, a Honda oferece a possibilidade de reduzir a altura do assento ao solo para os 830 mm, apenas com ajustes nas suspensões.

Lembram-se quando há pouco vos falei que a potência pode não ter subido muito, mas que se nota perfeitamente e que faz toda a diferença? É verdade e a redução de peso assume aqui papel preponderante… são menos quatro quilogramas no geral. Na verdade a proporção é de praticamente um cavalo a mais para um quilograma a menos e isso faz a diferença. Porque numa moto de aventura queremos autonomia que nos permita fazer grandes ligações sem termos que estar constantemente a parar para abastecer, o depósito subiu a sua capacidade, apontando agora aos 12,8 litros no total, mais 2,7 litros que na versão 250 cc. Tendo em conta um consumo médio de cerca de 3,1 litros aos 100 km, podemos dizer que em termos de autonomia estimada apontamos a cerca de 400 km, que é muito interessante. Pequenos pormenores como os piscas LED flexíveis ou a decoração inspirada nas CRF 450 do Rally Dakar, dão o toque final a um conjunto bastante especial.

Nunca defrauda

Devo confessar que um dos aspectos que mais curiosidade me suscitava era precisamente o incremento de potência do motor, porque sempre fui um acérrimo defensor de que a Rally merecia um coração mais atlético. O que descobri foi que as melhorias se sentem, efetivamente e isso deixou-me bastante feliz, mas não pensem que é uma grande diferença para a anterior geração. A condução é agora um pouco mais divertida e nota-se também o esforço que a Honda fez em melhorar uma série de aspectos que não apenas o motor, como é por exemplo, o caso da caixa de velocidades, onde as cinco primeiras relações são bastante mais parecidas e curtas, transmitindo um binário mais encorpado e beneficiando as nossas incursões fora de estrada e por outro lado, uma sexta velocidade que está bastante mais afastada das demais, apresentando-se como uma espécie de “overdrive” em auto-estrada, onde nos permite rolar entre os 120 e os 130 km/h sem esforço.

Se esta velocidade não vos chega, então saibam que conseguimos chegar perto dos 143 km/h com a CRF 300 Rally de série! O motor sente-se mais enérgico por volta das 6000 rpm e não sentimos necessidade de esgotar as mudanças, a não ser quando nos empenhamos (muito…) na condução fora de estrada… aí damos por nós a sonhar que somos “Bernardos Vilares”, em pé, com atitude mas a castigar as relações da caixa… Pode não ser um daqueles motores que nos deixa “pendurados no guiador” mas tem alma o quanto baste para nos proporcionar dias e dias de grande gozo, seja em que cenário for. Sobre a fiabilidade há pouco a acrescentar já que o enorme sucesso que tem ganho ao longo dos últimos anos no mercado fala por si. O consumo oscila entre os três e os três litros e meio por cada 100 quilómetros dependendo dos terrenos que pisamos, se for em off-road, é natural que gaste mais.

CONCLUSÃO

Outras notas que merecem destaque são sem dúvida a estética, bem colada ao conceito Rally Dakar da equipa Honda HRC de fábrica e que não deixa ninguém indiferente, mesmo que a ótica dianteira divida (muito) as opiniões. As suspensões com maior curso face às anteriores apresentam-se bastante permissivas, beneficiando o conforto diário e as incursões fora de estrada, penalizando um pouco, por outro lado, a condução mais empenhada em estradas reviradas. Graças à “torre”, a proteção aerodinâmica dá enorme ajuda ao conforto e o painel de instrumentos apresenta boa leitura já que foi recolocada um pouco mais para cima. O assento plano é confortável e as vibrações são praticamente inexistentes. A postura de condução continua a ser cómoda e pensada para as mais diversas utilizações, incluíndo de pé, mas também notamos que o depósito de combustível está um pouco mais largo na zona dos joelhos, principalmente quando nos chegamos mais para a frente. Se estão a pensar optar por este modelo para vos acompanhar nas aventuras fora de estrada, fazem uma boa aposta, embora poderá ser possível terem que fazer alguns ajustes para o efeito, nomeadamente no guiador. Uma moto que se pauta pelo equilíbrio e que graças a isso consegue ocultar de forma brilhante os seus 153 kg de peso em ordem de marcha.

A nova CRF 300 Rally continua a estar homologada para dois passageiros, embora os pousa-pés traseiros sejam demasiado elevados. Já está disponível nos concessionários, apenas nesta cor e com o preço a começar nos 7250€.

ficha técnica

HONDA CRF 300 RALLY

Motor                                     Monocilíndrico, refrigerado por líquido
Distribuição                           DOHC, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada                              286 cc

Potência Máxima                   27,3 cv às 8500 rpm

Binário Máximo                     26,6 Nm às 6500 rpm

Versão limitada A2                 –

Velocidade máx.                     143 km/h

Embraiagem                          Deslizante, multi-discos em banho de óleo
Final                                       Por corrente

Caixa                                      6 velocidades

Quadro                                   Estrutura tubular em aço
Suspensão Dianteira              Forquilha invertida Ø43 mm, sem ajustes

Suspensão Traseira                Amortecedor Pro-link, ajustável na pré-carga da mola, curso 260 mm
Travão Dianteiro                    Disco 296 mm, pinça de dois pistões, ABS
Travão Traseiro                      Disco 220 mm, pinça de êmbolo simples, ABS desconectável
Pneu Dianteiro                       80/100-21”

Pneu Traseiro                         120/80-18”

Altura do Assento                  890 mm

Distância entre eixos              1455 mm

Depósito                                 12,8 litros

Peso (em ordem de marcha)  153 kg

Cores                                      Vermelho

Garantia                                 3 anos

Importador                             Honda Motor Portugal

PVP                                        7250€

PONTUAÇÃO

HONDA CRF 300 RALLY

Estética                      4

Prestações                  3,5

Comportamento         4

Suspensões                 3,5

Travões                       3,5

Consumo                    4

Preço                          3,5

Tags: HondaHonda CRF 300 RallyHonda MotosHonda PortugalmotosRevista MotosTrail Bikes

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