Na Real Casa Ducati, onde não faltam reis e rainhas, a pequena Monster é a eterna princesa que tanta alegria espalha pelos jardins de Borgo Panigale. Amada em todo o Mundo, conquistando o coração de mais de 380 mil ‘monsteristi’ desde a sua revelação à sociedade, em finais de 1992, a Monster ganhou novas roupagens e, sobretudo, renovada vitalidade para 2026.
POR PAULO RIBEIRO/MOTOX.PT • Fotos DUCATI/ALEX PHOTO
As mudanças são enormes! Tão grandes que podemos afirmar tratar-se de uma moto completamente nova, e isto sem qualquer ponta de exagero. Ok, talvez tenham sido aproveitados alguns parafusos da anterior versão para esta 5ª geração da Ducati Monster, uma máquina de monumental importância para a casa italiana. Não só por ter sido a mais vendida de sempre, como pelo facto de ter salvo a Ducati da falência, assinalando o início de uma estrondosa recuperação económica.

Peso histórico que a inovadora moto criada pelo argentino Miguel Galluzzi carrega nos ombros com enorme desenvoltura, sem tropeçar ou, tão pouco, intimidar-se perante mais jovens e agressivas rivais. Afinal, a pioneira da categoria ‘sport naked’ continua a encantar, mesmo se está mais madura, sem a impetuosidade de outros tempos. Tanto mais que, para defender a honra da casa nesse particular, está lá a irmã mais nova, Streetfighter…
Não se pense, porém, que a nova Ducati Monster ficou letárgica ou ociosa. Nada disso! A verdade é que, com a chegada do novo bloco V2 ganhou outros atributos, conseguindo variar entre a serenidade requerida numa receção oficial e a energia exigida por uma valsa num qualquer salão nobre. Tudo graças à enorme disponibilidade da unidade motriz, mas também à custa de uma eletrónica refinada.
Coração de atleta
Um motor, já conhecido da Panigale, Streetfighter, Hypermotard ou Multistrada, que foi adaptado a uma utilização urbana, onde a facilidade é palavra de ordem, mas sem descurar o prazer de condução numa qualquer estradinha revirada. A potência, ligeiramente inferior à oferecida pelas irmãs, surge desde muito cedo na rotação, com força disponível logo aos primeiros movimentos do punho direito e uma sensação de vitalidade em todo o regime. A Ducati expressa em números esta sensação, garantindo que 70% do binário está disponível desde as 3000 rotações por minuto e que entre as quatro e as 10.000 rpm nunca baixa dos 80%! Na base desta resposta está o sistema de abertura variável das válvulas de admissão em função das indicações do acelerador e, entre outros, dos sensores de velocidade e da relação engrenada, que vai gerindo a quantidade de mistura ar/gasolina que é injetada nos cilindros.



Motor que mantém a eterna configuração da casa transalpina, o V2 a 90º, embora agora sem o cilindro dianteiro paralelo ao solo. Rodando 20º para cima, ficou a ganhar o equilíbrio geral, sem qualquer interferência em termos de performances. Com um temperamento que pode variar entre o extremamente sereno, com acelerações suaves nos modos de chuva (Wet) e cidade (Urban) – estes limitados a 95 cavalos – até ao temperamento agressivo ‘ma non troppo’ no Sport, passando pela sobriedade e eficácia do modo Touring. Na verdade, com três ou quatro toques do polegar esquerdo nos práticos comandos em forma de pétalas, é possível criar uma moto substancialmente diferente. Sempre com força para sair desde baixas e com uma atitude que surpreende pela acertada mistura entre facilidade e eficácia. Além de elevados níveis de diversão, mas sempre adequados à vontade e experiência do condutor.
Completa dotação eletrónica que, apesar de atuar de forma eficiente, não belisca o carácter icónico da Monster, com ajustes da entrega de potência em 4 níveis que, grosso modo, são coincidentes com os modos de motor. E que fazem com que resposta à rotação do acelerador não seja intimidante para um iniciante, mas sem ser minimamente enfadonha para os mais experientes. Aliás, pode mesmo ser bastante divertida, com acelerações fortes sublinhadas pelas (poucas) vibrações que se sentem nas rotações mais altas e funcionam como um despertar para uma realidade… desportiva. Note-se que, mesmo no modo mais desportivo, a Monster é bem mais tranquila do que a Streetfighter, deixando claro o lugar que ocupa na entrada de gama da Ducati.



Pensada para uma maior abrangência em termos de condutores e condutoras, sobressai ainda pelas ajudas eletrónicas que garantem um nível de segurança muito elevado, além da grande eficácia que os ‘pilotos’ de fim de semana vão adorar. E que assenta nos controlos de tração, de cavalinho e de travão-motor, além de um sistema de ABS com funcionamento em curva ajustável em 3 níveis. Tudo regulado por uma unidade de medição inercial de 6 eixos, desenvolvida nos Mundiais de MotoGP e de Superbike, que ajuda também a um melhor funcionamento do sistema Quick-Shifter 2.0 que torna as passagens de caixa extremamente rápidas. Maior aproveitamento do motor rumo a uma maior diversão e que não disfarça a origem desportiva da caixa, deixando transparecer o toque metálico oriundo dos carretos de dentes direitos tradicionalmente usados nas corridas.
Entre a eficácia e o conforto
Da competição veio também o futurista chassis, assente numa monocoque de alumínio que é uma espécie de caixa (aproveitada para instalar o filtro de ar), que utiliza o motor como elemento de dissipação de esforço e está unida à coluna de direção e a um curioso sub-quadro. Que junta elementos de treliça tubular em aço e uma estrutura de tecno polímero, sendo na prática um elemento em plástico reforçado que garante peso reduzido e elevada resistência.

Conjunto ciclístico cuja validade já tínhamos comprovado junto das irmãs da Monster, da Panigale à Multistrada, e que voltou a surpreender pela grande estabilidade, mas, acima de tudo, pela enorme agilidade. Tão fácil de colocar em curva que vai surpreender condutores experientes e motos bem mais potentes e com outros atributos, aproveitando na perfeição a mais recente versão dos Pirelli Diablo Rosso (IV). Equipamento pneumático que chega à temperatura ideal de funcionamento em poucos quilómetros, minimizando a necessidade de fazer ‘aquecimento forçado’ aos ‘esses’.
Pneus que transmitiram grande confiança, mesmo nas estradas frias e com alguma humidade encontradas nos arredores de Málaga, incluindo nas montanhosas estradas do Parque Natural de Sierra de las Nieves. Aliás todo o conjunto revelou um comportamento muito bom, com o conjunto de amortecimento Showa a mostrar bom equilíbrio entre conforto e eficácia, só se descobrindo algumas limitações quando o ritmo subiu para lá daquele que consideramos ser o de uma utilização ‘normal’ da Monster. Algum bambolear em curva, impedindo trajetórias mais precisas, mas com a vantagem de absorver melhor as irregularidades do piso, nomeadamente as bossas criadas no asfalto pelas raízes de árvores, evitando sustos na condução. Também a travagem se rege por estas linhas orientadoras, beneficiando a progressividade e com uma potência que, por força das pastilhas escolhidas para equipamento original, só surge em todo o seu esplendor quando se aperta fortemente a manete dianteira.

CONCLUSÃO
Mesmo com relevantes argumentos técnicos, herança de uma família habituada aos mais glamorosos palcos de MotoGP e Superbike, a Ducati Monster mantém inalterada a jovialidade que sempre a caracterizou. O inconfundível estilo que sobressai da sempre subjetiva análise estética remete de imediato para as míticas linhas idealizadas por Galluzzi há mais de 30 anos, com o peso visual concentrado no depósito em contraste com uma traseira verdadeiramente minimalista. Formas que reforçam uma atitude muito própria de estar no universo motociclístico porque, afinal, uma princesa é sempre uma princesa…
ficha técnica
ducati monster
Motor Dois cilindros em V a 90º, refrigeração líquida, SOHC, 8V. com admissão variável IVT
Cilindrada 890 cc
Alimentação Injeção eletrónica, corpos de acelerador de 52 mm
Potência Máxima 111 cv às 9000 rpm
Binário Máximo 91,1 Nm às 7250 rpm
Caixa 6 velocidades. Ducati Quick Shift 2.0 de série
Quadro Monocoque em alumínio, secção traseira em tubos de aço e tecno polímero reforçado
Suspensão Dianteira Forquilha invertida Showa, diâmetro 43 mm. Curso 130 mm
Suspensão Traseira Mono amortecedor Showa, ajustável em pré-carga. Curso 145 mm
Travão Dianteiro Dois discos de 320 mm, pinças Brembo M4.32 de 4 pistões e fixação radial
Travão Traseiro Disco de 245 mm, pinça de 2 pistões
Pneu Dianteiro 120/70 x 17”
Pneu Traseiro 180/55 x 17”
Distância entre eixos 1492 mm
Altura do Assento 815 mm (banco mais baixo 795 mm + kit suspensão 775 mm)
Peso (em ordem de marcha) 175 kg
Depósito 14 L
Consumo 5,2 L/100 km
Cores Vermelho Ducati e Branco Iceberg
Garantia 3 anos
Importador Ducati Ibérica
PVP 13.205 € (versão + 13.695 €)
PONTUAÇÃO
ducati monster
Estética 5
Prestações 3
Comportamento 4
Suspensões 3
Travões 4
Consumo 3
Preço 3



