O que há uns anos parecia uma utopia e uma ideia completamente estapafúrdia, é agora realidade e com um sucesso estrondoso: a Ducati tem uma moto de motocross, que está a dar que falar e mais que isso, a crescer em termos de resultados um pouco por todo o mundo. O sonho tornou-se realidade mas ainda parece mentira…
POR Pedro Fragoso • Fotos Pedro Messias

A Ducati levou a cabo um mega test ride para clientes, pilotos e amigos, no passado fim de semana de 27 e 28 de setembro, na pista do BA Park no Seixal e nós marcamos presença logo às primeiras horas do primeiro dia do evento que esteve completamente esgotado! Não posso negar que a minha expectativa era enorme de poder sentir o pulso a esta máquina de MX tão falada por todo o universo do off road. Será que é uma moto que cumpre? Será que é uma moto que fica aquém do esperado? Será que os elogios que temos vindo a ouvir são exagerados, ou por outro lado, justos? É o que vamos descobrir já de seguida!
Porquê o motocross?
Em conversa com alguns dos responsáveis pela marca a nível Ibérico já tinhamos colocado esta questão e a resposta foi simples: porque não? Na verdade este projeto serve de demonstração do poderio que a marca de Bolonha tem e da capacidade que tem para fazer coisas novas, diferentes e com muita qualidade. Esta Desmo 450 MX é apenas o começo, uma vez que no campeonato italiano já tivemos a oportunidade de ver o protótipo da 250 MX a 4T rodar com grande sucesso em pista. Embora o mercado do off road seja pequeno, marcas como a Ducati ou a Triumph olham para estes segmentos e até competições como uma nova oportunidade para continuarem a desenvolver produtos novos e provar a si mesmos que sim, é possível! Como em tudo o que se “metem” a Ducati encarou o desafio MX com muita seriedade e neste momento têm uma equipa de fábrica a militar no Campeonato do Mundo de MX, na classe principal e o piloto de testes foi desde o primeiro momento o pluri-campeão do mundo Antonio Cairoli! Esta presença na classe rainha do MX mundial foi o ponto de partida para o desenvolvimento desta 450 cc, que bem ao estilo Ducati, apontou logo ao topo e não às classes mais baixas. Para breve estará a 250 cc e depois as versões de enduro.

Que colosso
É verdade, não posso esconder, fiquei rendido à nova Desmo MX! E a culpa não é só da ciclística, da qual falaremos mais adiante, mas principalmente devido ao motor que foi uma enorme (e agradável) surpresa. Primeiro porque em temos de números é o mais forte do segmento, com o monocilindro a 4T a debitar uns enérgicos 63,5 cv às 11 900 rpm e um binário feroz de 53,5 Nm às 7500 rpm e depois porque é, sem dúvida alguma a 450 cc mais fácil de utilizar essa potência, onde a maior suavidade na entrega de potência se traduz em rapidez. Vamos em segunda ou em terceira velocidade, enrolamos punho e a Desmo450 MX sai com uma vivacidade incrível, até quando pensamos que já não será possível essa subida de potência sem recorrer à caixa de velocidades. Se somarmos a isto os parcos 104,8 kg de peso a seco, temos como resultado final uma relação peso/potência vencedora! Mas regressemos ao motor, onde o sistema de distribuição Desmodrómica assume protagonismo. Sem entrar em detalhes demasiado técnicos, a grande vantagem deste sistema é torná-lo mais eficiente: permite atingir um maior regime de rotação e por outro lado reduz o atrito nas rotações mais baixas. Já vos disse que fiquei rendido á facilidade com que o motor se deixa explorar? Já disse sim, mas é importante reforçar!

Neste patamar de tecnologia, as ajudas eletrónicas são parte fundamental e aqui a Ducati volta a puxar dos galões e vai à experiência nas competições em asfalto para dotar esta MX do melhor que há neste campo, como é o caso do sistema de passagem de caixa assistido quick shift up (cinco velocidades), controlo de arranque, controlo de tração e com o módulo Wi-Fi opcional podemos aumentar mais as funcionalidades da 450 MX. Na prática o que sentimos no traçado gerido pela piloto Bruna Antunes, foi uma energia quase inesgotável que está constantemente a colocar-nos à prova e a fazer com que os tempos baixem de forma incrível de volta para volta, tal é a facilidade com que o motor se deixa explorar. Os dois modos de potência, um mais “soft” e outro mais agressivo são parte responsável por esta tremenda eficiência do conjunto. A colocar essa potência no chão de forma altamente eficiente temos uma ciclística de alta qualidade.
Ciclística de topo
O quadro de alumínio é muito leve e rígido (pesa apenas 9 kg) e isso faz-se sentir na agilidade da 450 MX, principalmente na facilidade e rapidez nas mudanças de direção, bem como na segurança que nos transmite nos saltos. O design é típico das motos de MX de competição, pensada na liberdade total de movimentos por parte dos pilotos. A caixa do filtro de ar está à mão e de fácil acesso na lateral esquerda, sem necessidade de ferramentas.

No tema das suspensões, a Ducati não vacilou e recorreu ao que de melhor se faz na Showa. Na frente encontramos a forquilha invertida de Ø49 mm totalmente ajustável em extensão e compressão e que mostrou uma extraordinária capacidade de absorção dos buracos e pedras sem nunca interromper a partilha de informação com o piloto. Atrás, exatamente a mesma coisa, o monoamortecedor permite diversos ajustes e o feedback é muito preciso. Meio caminho andado para sermos rápidos! A fechar a parte ciclística, temos que falar da travagem que, adivinhem… funciona de forma quase perfeita! Com discos da Galfer de 260 mm na frente e 240 mm atrás e pinças e bombas Brembo, tudo funciona como deve ser, de forma rápida, poderosa e de fácil dosagem. As jantes são umas Excel com pneus Pirelli Scorpion MX 32 (80/100-21” na frente e 110/90-19” atrás).
Em termos ergonómicos mostra grande versatilidade para receber pilotos de todas as estaturas. O guiador largo pode ser ajustável e o depósito de 7,2 litros dá-nos uma simpática autonomia. Já no que a eletrónica diz respeito é muito completa e os comandos são muito fáceis de operar.
Aos seus comandos
Desde a nossa primeira saída para a pista que ficou bem claro de que estamos perante um conjunto muito eficiente, dos mais competentes que já tivemos oportunidade de testar. O motor é sem dúvida um dos aspectos que merecem mais destaque assim como o “pacote” tecnológico. A entrega de potência está bem escalonada e não há um regime em que sintamos falta de potência na abertura do punho do acelerador. Se querem ser rápidos e eficientes, o modo mais suave é suficiente mas se pretende mais “luta”, então o mais agressivo é a opção ideal. Apenas ressalvar que todas as ajudas eletrónicas da Ducati Desmo450 MX podem ser ajustadas ou até mesmo totalmente desligadas.



Em termos de manutenção, de 15 em cada 15 horas requer a mudança do óleo e respetivo filtro. O pistão deve ser mudado a cada 45 horas, altura em que se devem verificar as folgas das válvulas. A revisão maior ao motor está prevista a partir das 90 horas.
Conclusão
Tal como temos vindo a referir ao longo do texto, esta nova Ducati entra diretamente para a nossa lista de preferências por tudo o que oferece de série colocando-se mesmo como uma das melhores opções do momento no segmento. A Desmo450 MX já está disponível nos concessionários, em vermelho e com o preço a começar nos 12 690€.
ficha técnica
DUCATI DESMO450 MX
Motor Monocilíndrico, refrigerado por líquido
Distribuição Desmodrómica, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada 449 cc
Potência Máxima 63,5 cv às 11 900 rpm
Binário Máximo 53,5 Nm às 7500 rpm
Embraiagem Multi-discos em banho de óleo
Caixa 5 velocidades, c/ quick shift up
Final Por corrente
Quadro Dupla trave em alumínio
Suspensão Dianteira Forquilha invertida Showa Ø49 mm ajustável
Suspensão Traseira Amortecedor Showa ajustável
Travão Dianteiro Disco Galfer de 260 mm, pinça de 2 pistões
Travão Traseiro Disco Galfer de 240 mm, pinça de pistão simples
Pneu Dianteiro 80/100-21”
Pneu Traseiro 110/90-19”
Altura do Assento 970 mm
Distância entre eixos 1494 mm
Depósito 7,2 litros
Peso (ordem de marcha) 104,8 kg
Cores Vermelho
Garantia 3 anos
Importador Ducati Ibéria
PVP 12 690€
PONTUAÇÃO
DUCATI DESMO450 MX
Estética 4
Prestações 4,5
Comportamento 4,5
Suspensões 4
Travões 4
Consumo –
Preço 3

