Já todos sabemos como o mais recente motor boxer, de 1.300cc e 145 cv veio dar um toque um toque mais desportivo aos seus modelos. Mas estará a renovada R 1300 RS à altura das prestações deste bicilíndrico? Fizemos muitos e bons quilómetros com este modelo e contamos tudo já de seguida!
POR Fernando Neto • Fotos Paulo Calisto

Entre os modelos boxer da BMW, as trail GS são sempre as campeãs de vendas, mas a marca germânica nunca desiste, e bem, dos restantes segmentos. Um desses é o das Sport Touring, cada vez com menos representantes a nível mundial, mas a BMW continua a acreditar na sua sigla RS, um género de moto de sport-turismo que ainda tem muito para dar. Sejam assim bem-vindos à R 1300 RS, que tem os ingredientes necessários para ser considerada a moto boxer mais desportiva de sempre, pelo menos neste formato de série!
Um pouco de história
Quanto entrei no jornalismo, há mais de 20 anos, os troféus BMW Boxer Cup estavam em alta, e em diversos países. Depois foi lançada uma espetacular HP2 Sport recordam-se? Uma moto bem exclusiva, mas em que prestações, ciclística e eletrónica estavam algo atrás do modelo destas páginas, refinado ao longo dos anos. Aqui os números são semelhantes aos das outras 1300 boxer já conhecidas, pelo que falamos de um motor bicilíndrico que debita 145 cv de potência, mas aqui neste modelo houve diversas alterações para este ano, por forma a melhorar as aptidões, essencial desportivas!
As novidades
A própria marca não esconde. As melhorias tiveram como intuito uma dinâmica bem mais apurada, por forma a levar o motor boxer até um outro nível em termos desportivos, sem que o conforto se ressentisse. É claro que, para isso, o triângulo entre assento, pousa-pés e avanços sofreu alterações, pelo que agora carregamos mais peso na frente. E confirmando toda essa veia desportiva, existem algumas variantes disponíveis, como a Performance (que testamos aqui), em que para além da decoração com as cores de competição da marca ainda encontramos suspensões mais desportivas, manetes mais curtas, pousa-pés exclusivos e ajustáveis, para-brisas mais curtos e desportivos, assento desportivo, spoiler de motor, pneus mais desportivos da Dunlop… e isto sem juntarmos os inúmeros opcionais que ainda podemos adicionar, ou para dar uma vertente ainda mais desportiva ou, pelo contrário, por forma a tornar esta moto quase numa autêntica turística!

Em termos de eletrónica, três são os modos de condução que surgem de série, mas os Dynamic e Pro são praticamente “obrigatórios”, pelo que no momento da compra vale bem a pena analisar o conteúdo de cada um dos pacotes de equipamento que estão disponíveis: Dynamic, Innovation, Comfort e Touring. E é claro, esta R 1300 RS pode ser equipada com ASA, sem manete de embraiagem, sistema que muitos tem convencido. Destaque ainda, neste modelo, para a nova forquilha invertida dianteira de 47 mm e para o novo sistema Paralever traseiro, evoluídos para uma maior firmeza, enquanto as jantes são agora 1,4 kg mais leves. O sistema eletrónico das suspensões (DAS) é novo, e na frente permite inclusivamente regular a taragem da pré-carga, o que é uma novidade. Podemos contar ainda com o novo sistema de iluminação, e existem depois inúmeras siglas referentes aos diversos sistemas eletrónicos que pretendem manter tudo em segurança, pelo que recomendamos uma visita (com tempo) ao configurador da marca. No caso desta unidade que testámos, fiquem a saber que, dos 18 200€ que a marca pede pela RS mais simples, esta apresentava um valor final de 24 068€, em especial por causa do farol dianteiro Pro, do Pack Comfort, do Style Performance e da ponteira de escape Pro, além de mais alguns opcionais.

Desportiva sim, mas…
Esteticamente este modelo, e ainda mais nesta versão, está espetacular, e foi muito abordado durante os dias em que circulei com esta RS. Uma moto que assume, em tudo, uma maior desportividade que outrora, porém, mesmo sendo esta a variante Performance, que inclui o Pakc Dynamic, atenção pois esta nunca será uma S 1000 RR! E isso nota-se desde logo nas manobras, onde os 245 kg, já com gasolina, atrapalham um pouco, tal como os cilindros salientes, para quem não está habituado. Depois, em andamento, apesar de seguirmos sem desconforto, parece que tudo tem um pendor muito mais desportivo nesta RS do que nas versões anteriores. Ou seja, até podemos passear tranquilamente, mas é a acelerar bem, a travar e a curvar, que mais tiramos partido desta moto.

Ainda mais nesta versão Performance que vem equipada com pneus mais desportivos da Dunlop e pousa-pés maquinados, em que sentimos tudo, até uma maior dureza do que é habitual ao usarmos o quickshifter. E ao contrário das motos boxer de antigamente, aqui quanto mais aceleramos, parece que mais esta 1300 pede para irmos depressa, se possível no modo de condução Dynamic, que é claramente o mais eficaz e divertido. A travagem é muito eficaz e as novas suspensões funcionam muito bem e oferecem aquela sensação de segurança de sempre, pelo que nos sentimos tão bem em estrada como em autoestrada com esta moto. Na cidade ou em calmos passeios, aí a BMW tem propostas muito melhores. Registámos um consumo médio a rondar os 5,7/6 l/100km, algo que pode variar muito, e destacamos ainda o sistema de iluminação que é realmente incrível, especialmente quando usamos os máximos. Por outro lado, continuam a faltar comandos retroiluminados!



Dúvidas existenciais?
Um futuro proprietário terá apenas de decidir: optar por uma RS ainda mais desportiva como esta Performance ou uma mais touring, equipada com sistema de bagagem? Dependerá sempre do tipo de percursos de cada um! Eu fiz uma pequena viagem de 160 km para cada sentido, em estrada e autoestrada, e a RS esteve como peixe na água. Foi subir o para-brisas, ligar os punhos aquecidos – e por vezes o cruise control – e seguir viagem, mas foi em estrada de serra que mais me diverti. E não esperava divertir-me tanto aos comandos de uma desportiva boxer! Por outro lado, confesso que por vezes já não tenho paciência para andar com uma mochila às costas, e umas pequenas malas tinham dado jeito.

Uma moto que perdeu alguma facilidade de utilização em tranquilos passeios mas que ganhou muito em eficácia, numa condução mais desportiva. É isso que os fãs pretendiam? Temos de esperar para ver! Se você é um dos interessados, não deixe de usar o configurador da marca, pois se esta nossa unidade já tinha muitos opcionais, muitos mais seria possível colocar.
No fundo, é mais um moto que vem demonstrar que o motor boxer não está morto, está na verdade mais vivo do que nunca!
ficha técnica
BMW R 1300 RS
Motor Boxer bicilíndrico, refrigeração por ar/líquido
Cilindrada 1.300 cc
Potência Máxima 145 cv às 7.750 rpm
Binário Máximo 149 Nm às 6.500 rpm
Embraiagem Assistida e deslizante em banho de óleo
Final Por veio
Caixa 6 velocidades
Quadro Bipartido, com motor autoportante
Suspensão Dianteira Forquilha telescópica invertida, curso de 140 mm
Suspensão Traseira Sistema Paralever, amortecedor central, curso de 130 mm
Travão Dianteiro Dois discos de 310 mm, pinças radiais de 4 êmbolos
Travão Traseiro Disco de 285 mm, pinça de 2 êmbolos
Pneu Dianteiro 120/70 ZR17
Pneu Traseiro 190/55 ZR17
Comprimento Máximo 2.138 mm
Largura Máxima 846 mm
Distância entre eixos 1.517 mm
Altura Máxima 1.349 mm
Altura do Assento 815 mm
Depósito 17 litros
Peso (a seco) 233 kg
Cores Azul “racing” metalizado, Triple Black, Performance, Option 719 Cuyamaca
Garantia 5 anos
Importador BMW Portugal
PVP desde 18.200€
PONTUAÇÃO
BMW R 1300 RS
Estética 5
Prestações 4,5
Comportamento 4,5
Suspensões 4
Travões 4,5
Consumo 4
Preço 3




