Depois do sucesso que foi a Trident 660, na passada edição do Salão de Milão a Triumph apresentou o passo seguinte, a Trident 800. Uma versão que nos deixou completamente rendidos aos seus encantos. Será que os argumentos são suficientemente fortes para nos fazer querer ter uma na nossa garagem? É o que vamos descobrir…
POR Bruno Rebelo • Fotos Triumph
Existem marcas que têm a capacidade de nos fazer viajar atrás no tempo, até à nossa infância e às primeiras recordações ligadas às duas rodas. A Triumph é uma delas! Desde que me recordo, sempre que via uma moto de maior cilindrada, muitas vezes era uma Triumph, isto, pelo menos até aos finais dos anos ‘80, início dos ‘90, altura em que começa a grande ofensiva nipónica no mercado.

Mas o que recordo mais é o som característico das motos inglesas, a presença elegante de moto e motociclista, que formavam uma dupla que me fazia sonhar que um dia seria eu a ocupar o centro daquele quadro. Por uma razão ou por outra, nunca aconteceu, mas esta viagema o Chipre, para conhecer a nova Triumph Trident 800, poderá ser o “gatilho” que faltava para dar esse passo, e conto-vos o porquê!
Tudo para correr bem
O grande sucesso que foi a Trident 660 trouxe novos clientes para a marca, que rapidamente começaram a almejar algo mais, dentro do mesmo estilo mas com um pouco mais de cilindrada. A própria marca inglesa começou a olhar para o motor de três cilindros com 800 cc com outros olhos e a pensar que a base Trident poderia “casar” na perfeição com este bloco. Se bem o pensaram melhor o fizeram e o resultado está à vista!
Motor conhecido, ciclística cumpridora
Esta unidade de três cilindros é uma “velha” conhecida da Triumph, que ao longo dos anos foi dando vida a diversos modelos e a mais recentemente atualização já havia sido utilizada na Tiger Sport 800. Falamos do três cilindros em linha de 798 cc, com 115 cv de potência às 11 500 rpm, com um poderoso binário de 84 Nm.



Elemento central é o quadro em tubos de aço, mas com algumas alterações face à Tiger e com um sub-quadro totalmente novo. Já o conjunto de suspensões está a cargo de uma forquilha invertida de 41 mm, uma Showa SFF-BP, totalmente ajustável tanto na compressão, extensão e “rebound” com 120 mm de curso. Na traseira temos um amortecedor Showa, igualmente ajustável com 130 mm de curso. Na travagem podemos contar com dois discos de 310 mm com pinças radiais J.Juan de quatro pistões na frente com ABS em curva e um disco de 220 mm com pinça J.Juan e ABS atrás.


O conjunto é ágil e equilibrado, contribuindo para isso o peso de 198 kg que embora pareça muito na ficha técnica acaba por estar muito bem distribuído pelo conjunto, tornando a Trident 800 numa moto muito fácil de manobrar em qualquer cenário, até na cidade pejada de trânsito. O assento colocado a apenas 810 mm do solo recebe com humildade e confiança os menos experientes. A distância entre eixos de 1402 mm torna o conjunto estável e confiável até em velocidades mais proibitivas e o depósito com 14 litros de capacidade assegura-nos uma autonomia que facilmente supera os 300 km.
Uma moto moderna, pois claro
No que respeita à tecnologia a Trident está muito bem equipada, pois encontramos um painel de instrumentos TFT de 3.5” a cores onde podemos ver toda a informação que precisamos para o nosso dia-a-dia como nível de combustível, horas e temperatura, indicador de mudança engrenada, velocidade, rotação e modo de condução. Por falar em modos de condução, a nova “neo-retro” da marca britânica brinda-nos com três carácteres diferentes, ou seja, se rodamos em pisos mais escorregadios ou molhados, onde necessitamos de estar mais alerta, então o modo RAIN é a opção mais sensata.

Por outro lado, se o que pretendemos é desfrutar sem grandes condicionantes, mas ainda assim de forma mais controlada, então o melhor é optar pelo modo ROAD. Por último, e se pretendem usufruir da máxima potência sem limitações e com as ajudas no mínimo de intervenção, é optar pelo SPORT. Três posturas distintas, com o intuito de ajudar os utilizadores tenham eles muita, ou pouca experiência.

Dentro das ajudas eletrónicas temos ainda que contar com o controlo de tração que é ajustável e pode ser mesmo totalmente desligado. A pensar nas viagens mais longas e em auto-estrada, o “cruise-control” é sempre uma mais-valia, que vem de série com os punhos aquecidos, a conectividade com a aplicação “My Triumph Connectivity” e quick shift bi-direcional, que funciona tão bem que arrisco mesmo a dizer que foi um dos melhores que já tive a oportunidade de testar. As óticas modernas comportam iluminação LED de grande visibilidade.
CONCLUSÃO
À medida que fazia este ensaio pensava em como era há vinte anos atrás neste segmento: as motos eram mais pesadas, sentia-se mais o peso e ou andavam bem e travavam pouco ou travavam melhor mas pouco andavam… A evolução para os dias de hoje é absolutamente incrível. Enquanto pensava nisto e conduzia a nova Triumph, dei por mim a constatar em como as novas gerações têm sorte, por terem motos à disposição como a Trident 800 que, independentemente do seu nível de condução, vão sentir grande segurança e confiança. É uma moto tão bem afinada ao nível da injeção que podemos rolar a baixas velocidades numa qualquer cidade congestionada sem receios ou ficarmos cansados. O motor é suave e potente com uma sonoridade encantadora. A posição de condução é natural e convida a partir sem destino mesmo que estejamos a falar de uma Naked onde a proteção aerodinâmica não é propriamente o seu ponto forte. Resumindo, é uma moto onde nos é difícil encontrar pontos menos positivos… e agora a derradeira resposta que colocámos no início, sim, teria uma na minha garagem com o maior prazer!

A Triumph Trident está disponível em três cores, branca com apontamentos a vermelho; vermelha e ainda uma preta brilhante, todas elas com jantes douradas.
Este modelo tem quatro anos de garantia sem limite de quilómetros e vai estar disponível já a partir de março pelo preço de 10 895€.
ficha técnica
TRIUMPH TRIDENT 800
Motor Tricilíndrico em linha, refrigerado por líquido
Distribuição DOHC, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada 798 cc
Potência Máxima 115 cv às 10 750 rpm
Binário Máximo 84 Nm às 8500 rpm
Versão limitada A2 Não
Embraiagem Multidiscos em banho de óleo
Caixa 6 velocidades, quick shift
Final Por corrente
Quadro Perimetral em tubos de aço
Suspensão Dianteira Forquilha invertida Showa BP-SFF Ø41 mm, totalmente ajustável
Suspensão Traseira Monoamortecedor Showa RSU, totalmente ajustável
Travão Dianteiro Dois discos 310 mm, pinças radiais de quatro pistões, ABS
Travão Traseiro Disco 220 mm, pinça de pistão simples, ABS
Pneu Dianteiro 120/70-17”
Pneu Traseiro 180/55-17”
Altura do Assento 810 mm
Distância entre eixos 1402 mm
Depósito 14 litros
Peso (em ordem de marcha) 198 kg
Cores Branco, vermelho e preto
Garantia 4 anos
Importador Triumph Motorcycles
PVP 10 895€
PONTUAÇÃO
TRIUMPH TRIDENT 800
Estética 4
Prestações 4
Comportamento 4
Suspensões 4
Travões 4
Consumo 3,5
Preço 3,5




