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Contacto Kawasaki Versys 650 – Racionalidade japonesa

Fernando Neto Por Fernando Neto
7 Julho, 2026
em Motomais, Testes
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Certas paisagens por vezes denotam uma certa falta de cor. O que necessitamos é, obviamente, de uma Kawasaki verde para as alegrar. A Versys 650 recebeu um desenho semelhante ao da nova Versys 1000, passou a ter a mesma cara pontiaguda que a irmã mais velha, colocando em evidência os novos e agressivos faróis duplos. Mas será suficiente para ser líder num segmento tão competitivo?

POR David Palacios • Fotos Ernesto C.

A nova Versys 650, sem dúvida alguma, foi criada para nos deixar no dilema entre conquistar a cidade ou deixá-la para trás. Seja qual for a nossa opção, o expoente máximo ganha vida na versão Tourer+, transportando-nos a nós, ao nosso passageiro e à nossa bagagem de forma confortável até à próxima grande aventura.

O CONCEITO VERSYS CONTINUA A EVOLUIR

A Kawasaki criou uma moto versátil através do conceito Versys e tem vindo a aperfeiçoar a fórmula ao longo das suas evoluções. O resultado é uma moto para todo o terreno divertida, prática e robusta que pode servir tanto como meio de transporte caso seja necessário, mas também como uma forma de fugir à rotina diária da melhor forma possível. Uma opção muito indicada para aquelas pessoas que procuram a sua primeira moto. Na versão de 2025 foi submetida a diversas atualizações, como o para-brisas ajustável, painel de instrumentos TFT a cores com ligação Bluetooth, iluminação LED e controlo de tração KTRC, que nos permitem desfrutar ainda mais e melhor de cada quilómetro, seja numa curta deslocação, como numa escapadinha de fim de semana… se optares por deixar que a Versys 650 seja a tua companheira de viagem, vais ver que não vais sair defraudado!

ÁGIL NA CIDADE, CONFORTÁVEL EM ESTRADA

É uma dessas motos que nos fazem encarar o trânsito caótico de forma prazerosa. O guiador alto e largo torna-a ideal para curvas mais fechadas a baixa velocidade, enquanto abrimos caminho entre o trânsito, e o seu volume não nos impede de passar por espaços estreitos. Sente-se muito ágil e fácil de manobrar. Na Kawasaki Versys 650 a disposição dos faróis dianteiros aportam a um estilo mais agressivo e desportivo, mas funcionam na perfeição. Assim, como o aspecto geral da moto é mais desportivo, torna-a menos aventureira. A gestão do fluxo de ar foi uma prioridade durante o desenvolvimento do desenho e o para-brisas ajustável cumpre a sua função na perfeição.

CONFORTO EM ANDAMENTO

O conforto geral durante os dias em que tivemos a Versys para teste, foi irrepreensível. Nota-se o esforço da Kawasaki em direcionar o calor do motor para baixo, afastando-o do condutor e a utilização de apoios de borracha permitem minimizar as vibrações. O assento é suficientemente baixo para que os condutores de estatura média/baixa consigam apoiar ambos os pés no solo, mas por outro lado, é suficientemente alto para nos oferecer uma boa visibilidade por cima dos tejadilhos dos automóveis. Esta Versys 650 move-se com grande agilidade por entre os espaços pequenos e quase invisíveis, levando-nos a enfrentar o “slalom” entre os automóveis de forma divertida. Mas fora da cidade também se mostra tanto ou mais divertida de conduzir, muito por culpa do guiador largo que torna as curvas muito fáceis e torne o conjunto muito leve, pese embora declare 216 kg de peso.

CARÁCTER JAPONÊS, SEM FILTROS

Além de toda a atualização estética, para esta versão de 2025 a Kawasaki atualizou também as suspensões e a travagem da Versys 650, reforçou o sub-quadro para permitir a utilização de malas laterais e top case. O motor – o bicilíndrico paralelo de 649 cc da gama ER6 e da nova Vulcan S – foi optimizado para nos brindar com mais 5 cv de potência face à anterior geração.

A Versys 650 passa agora a disponibilizar uma potência de 67 cv às 8500 rpm com binário de 61 Nm às 7000 rpm. Isto demonstra que os valores máximos podem levar-nos ao engano. Há motos com valores mais altos, mas que não se sentem, nem de longe, tão potentes como esta Kawasaki. Obviamente que não é uma besta alemã de alta tecnologia, nem uma beleza italiana. É a racionalidade japonesa na sua máxima expressão. Para sermos honestos, é verdade que gostávamos de ter uma sonoridade mais aguda e não tão “abafado” proveniente do escape curto, mas não podemos questionar a dedicação deste motor nem a sua entrega de binário. Quando aceleramos a fundo em primeira, facilmente levanta a roda da frente, o que nos aporta a outra semelhança face à Versys 1000. A entrada na “red line” chega-nos às 10 000 rpm e a potência máxima às 8500 rpm. Esta ampla distribuição de binário significa que não é necessário mudar de mudança para chegarmos até ele. No capítulo das suspensões, contamos com uma forquilha invertida da Showa com 41 mm na dianteira e um mono-amortecedor traseiro da mesma marca. Na dianteira temos um curso de 150 mm e atrás é de 145 mm. Com o “setting” que trazia quando a fomos levantar ao concessionário, estava mais “afinada” para a utilização na cidade, com as suspensões a funcionarem de forma mais branda e permissiva, penalizando o desempenho em estrada aberta. A vantagem de termos suspensões ajustáveis é precisamente essa, podermos colocar a Versys 650 precisamente ao nosso gosto pessoal e de acordo com as nossas necessidades. A jante de 17” instalada na frente denuncia um carácter mais estradista do que propriamente aventureiro. Os ajustes na forquilha dianteira são fáceis de fazer e atrás podemos alterar a pré-carga da mola através de um novo, e mais prático, ajuste remoto.

IDEAL PARA TODA O USO

Cada dia que passa testando novas motos, ficamos cada vez mais surpreendidos com o que as motos de média cilindrada nos deixam fazer e como se colocam cada vez mais como a “medida certa”. São  suficientemente leves para serem conduzidas sem esforço; suficientemente sólidas para rodar com duas pessoas e três malas carregadas; são capazes de rodar com excelente desempenho em terrenos mais degradados; com binário suficiente para sair das curvas com facilidade e suficientemente resistentes para sobreviver a determinadas estrada portuguesas ou às “crateras” que muitas das ruas nas cidades nos têm para oferecer. A Versys encaixa na perfeição nessa lista de desejos. Os travões, de duplo disco na dianteira, com pinças Nissin de dois pistões e apenas um pistão atrás, são tão potentes como exigimos numa todo o terreno de peso médio, oferecendo bom tacto e potência mesmo quando apertamos a manete com apenas dois dedos. Os pousa-pés também foram recolocados, agora um pouco mais para baixo e para a frente e a posição de condução passou a ser mais ampla e relaxada. Não era segredo para ninguém que a geração anterior apresentava algumas vibrações, pelo que a Kawasaki adicionou novos apoios de borracha no motor. O resultado é maior suavidade a velocidades mais altas mesmo em autoestrada, sem transmitir quaisquer vibrações no guiador. Com um binário forte e novo design mais agressivo, enfrenta uma feroz concorrência no segmento de turismo na gama média: a Versys 650 é semelhante a uma Yamaha MT-07 naked, mas mais versátil. Ou, dada a história do modelo, podemos dizer antes que a MT-07 é semelhante a uma Versys 650 menos versátil?

A grande diferença é que a Kawasaki é uma excelente moto de turismo de média cilindrada, além de que nos pode proporcionar momentos muito divertidos em todo o terreno.

CONCLUSÃO

Bem, muito bem, é esta a nossa conclusão sobre a Kawasaki que nos acompanhou ao longo da última semana. Principalmente quando falamos em versatilidade. A Versys 650 foi pensada e desenhada para ser versátil e é muito boa nisso. O seu estilo não agrada a toda a gente por ser uma mistura entre desportivo e turístico. O motor de 650 cc é ideal para os novos motociclistas mas sem dúvida que tem potência se sobra para manter felizes até os mais exigentes.

ficha técnica

Kawasaki Versys 650

Motor                                     Refrigeração líquida, 4 tempos, bicilíndrico em paralelo

Cilindrada                              649 cc

Potência e rpm                       67 cv às 8.500 rpm

Binário e rpm                         61 Nm às 7.000 rpm

Embraiagem                          Multidisco em banho de óleo

Transmissão                           Por corrente

Quadro                                   Diamante tubular, aço de alta tensão

Suspensão dianteira               Forquilha invertida de 41 mm, com ajuste na extensão, compressão e                                          pré-carga da mola

Suspensão traseira                 Amortecedor lateral co ajuste da pré-carga da mola
Travão dianteiro                     Dois discos de 300 mm, pinças de 2 pistões, ABS
Travão traseiro                       Disco com pinça de pistão simples
Pneu dianteiro                        120/70ZR17M/C (58W)

Pneu traseiro                          160/60ZR17M/C (69W)

Altura assento                        845 mm

Peso                                        200 kg

Capacidade depósito              21 litros

Consumo                                n.d.

Garantia                                 3 anos

Preço                                      A partir de 8.870 €

PONTUAÇÃO

Kawasaki Versys 650

Estética                      3

Prestações                  4

Comportamento         4

Suspensões                 3

Travões                       4

Consumo                    4

Preço                          3

Tags: GRupo MultimotokawasakiKawasaki PortugalKawasaki Versys 650Revista Motos

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