Comparativo Maxi-Scooter – Velhas rivalidades! A chegada do Euro 5+ veio reacender lutas antigas. Espreitar os avanços do competidor mais directo foi sempre uma parte importante do jogo, mesmo que se tratem de apenas pequenos detalhes. A nona versão da Yamaha TMax reencontra-se com a muito peculiar Honda Forza 750, preconizando a batalha das maxi-scooters mais exclusivas do mercado.
POR Pedro Alpiarça • Fotos Paulo Calisto
Nunca será demais enaltecer as fenomenais capacidades como transporte urbano destas máquinas. Rápidas e ágeis, com uma praticidade única, a maneira como se movem transcende o pragmatismo do seu propósito, acabando também por ganhar adeptos devido à sua desportividade. Já vai longe o preconceito da sua origem como scooter, porque as grandes cidades e os respetivos acessos complicados reconhecem os seus proeminentes vultos, mesmo que seja por breves instantes.
E se considerarmos o valor no mercado quando comparadas com motos ditas convencionais, sabemos que a escolha do seu utilizador típico, é altamente especializada, com uma exigência muito própria. Vamos então descobrir o que têm de diferente nesta mais recente versão, e sobretudo, se ainda falam a mesma linguagem…
Honda Forza 750
O porta-estandarte das scooters da marca da asa dourada sofreu algumas alterações de importantes em 2025. Sendo a parte estética a mais óbvia, com o redesenho dos painéis frontais assim como dos seus faróis (nova assinatura led e piscas integrados), tendo como principal objectivo uma harmonização de linhas e maior fluidez visual. O motor não sofre grandes mudanças (um bicilíndrico paralelo com 745 cc, debitando 59 cv às 6750 rpm e 69 Nm às 4750 rpm), e continuamos a ter ao dispor mapas de condução com ajudas eletrónicas associadas.
O DCT está mais refinado que nunca, brindando-nos com arranques cada vez mais suaves e timings de passagem de caixa tão intuitivos que roçam o conceito de bruxaria. A transmissão secundária continua a cargo de uma tradicional corrente.
Houve melhorias a nível do formato do assento e da posição dos pés na plataforma central, privilegiando o conforto e o espaço. Na mesma óptica, foi redimensionado o ecrã defletor frontal (agora elétrico) e saúda-se o aparecimento de um cruise control de série. A Honda revela uma preocupação ambiental acrescida na construção dos seus modelos, sendo que a Forza é a primeira moto a apresentar Durabio (uma resina de policarbonato de base biológica), como material sustentável.
Yamaha TMax Tech Max
As alterações estéticas na TMax são menos evidentes do que na Honda, mas também existiu uma redefinição dos seus faróis e painéis frontais, sob o intuito de entregar um pouco mais de sofisticação ao design do conjunto. No capítulo motriz, as condutas de admissão e linha de escape foram redimensionadas para se ajustarem ao Euro 5+, sendo que os valores (motor bicilindrico paralelo com 562 cc, debitando 47,5 cv às 7000 rpm e 55 Nm às 5250 rpm) permanecem praticamente intocados.
Os mapas de condução Touring e Sport foram recalibrados (tornando mais clara a sua diferenciação) e surge um novo controlo de travagem combinada associada a uma unidade de medição inercial, modelando a pressão no travão utilizada em ambos os eixos quando o ABS começa a sua intervenção. Para além das jantes forjadas (agora com acabamento maquinado) desta versão Tech Max, o acesso à navegação Garmin é agora gratuito.
No seu elemento
Apresentações feitas, carregámos as motos com toda a bagagem possível e rumamos em direção aos picos da Europa… Não!? Então vestimos os fatos de pista e fomos a caminho do Autódromo do Algarve… Também não!? OK, muito embora qualquer um destes cenários fosse possível, a verdade é bem mais fastidiosa, porque efectivamente é na selva urbana que estas peças de engenharia nos mostram grande parte das suas valências. Agilidade, disponibilidade, praticidade e conforto aerodinâmico são alguns dos atributos que procurámos analisar a fundo, e no meio das intermináveis filas de carros, as diferenças começam a surgir de forma indelével.
A TMax está como peixe na água nesta realidade. Começando pela posição de condução mais compacta (o guiador aparenta estar mais próximo do condutor e as pernas seguem mais encolhidas), a sensação de centro de gravidade baixo é bem mais evidente que na Forza. Mais ágil e reactiva, a Yamaha procura ocupar cada espaço com o oportunismo típico de uma scooter de menores dimensões, e o imediatismo com que o motor corresponde às solicitações do acelerador amplifica este efeito de fisga. A Forza é ligeiramente mais corpulenta, e muito embora os números não revelem diferenças avassaladoras, no seu conjunto aparenta ser uma moto maior (e também mais espaçosa para o condutor). A acessibilidade de ambas ao solo é bastante semelhante (790 e 800 mm de altura do assento) e o utilizador mais inexperiente sentir-se-á bastante confortável aos seus comandos. Mas existem umas diferenças de raíz que ajudam a perceber melhor os seus traços de personalidade díspares. A jante de 17” dianteira na Forza ajuda-a a ter um pisar mais confiante, mas acaba por ser ligeiramente menos lesta nas mudanças de direção mais bruscas (que acontecem frequentemente nos “malabarismos” citadinos). Os seus 15 kg a mais do que a rival (236 Kg para 221 Kg) advém da presença do sistema DCT, sendo que a interação com o mesmo altera a experiência de condução para algo mais próximo de uma moto convencional. Fruto do tamanho dos seus motores bicilindricos, o espaço debaixo do assento perde para qualquer 300 do segmento inferior, mas podemos contar com a capacidade de albergar um capacete integral (com algum “jeitinho”) debaixo do assento em ambas as motos, e como tal um justo empate técnico surgiu como natural. Um compartimento dedicado a guardar objectos de menor volume, com carregador USB tipo C (adivinhem para o que serve…) é comum aos dois modelos, assim como a já imprescindível tecnologia keyless. Consumos? Fantásticos para a performance que oferecem, na casa dos 5L/100 km.
Fechado este capítulo, a diferença de paradigma começava a dar o mote para o resto do comparativo, existindo claramente uma atitude diferente que as distinguia.
Subir o nível
A estrada aberta é o cenário onde estas duas máquinas mais surpreendem, e nós acreditamos que o seu à vontade neste contexto é a principal razão da sua popularidade. É que mesmo que tenhamos em nossa posse uma moto tradicional, a imagem de uma “irritante scooter” que não nos sai dos espelhos, é algo que não esquece e que deixa marcas profundas no ego. E aqui existe uma delas que claramente se aproxima mais das sensações típicas de uma arquitectura normal. A Forza 750 conjuga vários factores para se destacar dinamicamente quando velocidade aumenta. Não só o motor se mostra mais progressivo (muito graças ao DCT, que em cada passagem de caixa volta a colocar-nos nas condições ideais de entrega de binário), como os cerca de 12 cv a mais se notam nos regimes mais altos. Não existem grandes argumentos quando temos quase 200 cc extra… E se tal não fosse bastante, o comportamento da ciclística (aqui sim, entra na equação o pisar confiante da jante dianteira de 17”) é irrepreensível, com as suspensões desportivas a trabalharem com a rigidez do quadro para debelarem as oscilações típicas desta tipologia. A estabilidade que a Forza demonstra a meio da curva está ao nível de motos que não têm a alcunha de “aspiradores”…
Mas a TMax não é de todo o patinho feio desta história. Se a Yamaha nunca caiu na tentação de lhe aumentar o motor (que está no limite da possibilidade de ser conduzido com carta A2, com os seus 35 kw), é porque tem uma boa razão para isso. O pacote funciona! Não tendo o refinamento desportivo da rival japonesa, a maneira como resolve a maior parte das situações roça o processo holístico. Sim, porque há muita fé (até nos habituarmos) no eixo dianteiro para mergulharmos na entrada em curva de forma perfeitamente comprometida. Super directa na sua comunicação (um clássico da casa de Iwata), a TMax goza de uma travagem fantástica, onde a mordacidade e o toque refinado que lhe define a potência, ajudam a estabilizar as suspensões antes de a colocarmos em ângulo. O que se perde em progressão por falta de potência em relação à Forza, ganhamos na rapidez que com que resolve as transferências de massa. Numa condução mais próxima de scooter, mas claramente sobre esteroides.
Quando colocamos os defletores frontais elétricos na sua posição mais elevada, percebemos o porquê das marcas as apelidaram de Grand Turismo. A protecção aerodinâmica da Forza melhorou substancialmente em relação ao modelo anterior, mas o conforto de rolamento da TMax continua a ser superior, devido a um setting de suspensão ligeiramente mais confortável. A maxi scooter da Honda leva as viagens mais a sério, pois permite colocar malas laterais (para além da tradicional top-case) disponíveis no catálogo de acessórios. Ambas possuem cruise control de origem mas a Yamaha é a única que dispõe de bancos aquecidos (para além dos punhos). Um fator bastante relevante e que se torna fundamental na nossa convivência com a tecnologia que nos rodeia, é a sua especificidade e capacidade de interação. Muito embora a Forza tenha navegação simplificada (vulgo “turn by turn”) e o bem oleado sistema de interação por voz (Smartphone Voice Control) da Honda, a TMax está noutro patamar. Não só o ecrã de 7” apresenta dos designs mais elegantes do mercado, como a plataforma de navegação da Garmin com mapa completo (semelhante ao da Tracer 9 GT) é imbatível no seu poderio tecnológico. É seguro dizer que existe uma maior qualidade de vida a bordo da Yamaha, sem rodeios. Mas será que estes pormenores justificam a notória diferença de preços (sobretudo nesta versão Tech Max)?
Ser ou não ser
A Yamaha TMax goza de uma reputação ímpar no mundo das duas rodas. Desde o seu aparecimento que se tornou a referência do que uma maxiscooter podia almejar, agradando tanto ao senhor motociclista que quer simplificar a sua vida sem abdicar de algum luxo e exclusividade, como ao jovem inconsequente que só quer ouvir o Akrapovic a mugir furiosamente, atravessando a cidade de uma ponta a outra de punho trancado. Nada se aproxima da TMax no que à sua capacidade de agradar a diferentes mundos, fazendo dela uma moto eclética. E se isso lhe permite ter um valor muito acima do que o mercado propõe, pois que assim seja, visto que conquistou esse direito. Uma coisa é certa, não experimentem a Honda Forza 750 na procura de semelhanças, porque todo o seu carácter se aproxima mais de uma moto do que uma scooter. Uma moto com capacidade extra de carga, com uma protecção extra contra os elementos, com uma vantagem extra na utilização da caixa de velocidades e sobretudo…com muita vontade de surpreender aqueles que não sabem muito o que está ali debaixo. Sinais dos tempos, uma máquina complicada de definir para quem gosta de ter tudo direitinho. Nós ficámos esclarecidos, e esperamos que vocês também!

Ficha técnica
Honda Forza 750
Motor Bicilindrico paralelo, refrigerado por líquido
Distribuição SOHC, 4 válvulas
Cilindrada 745 cc
Potência Máxima 59 cv às 6750 rpm
Binário Máximo 69 Nm às 4750 rpm
Embraiagem Multi-discos em banho de óleo
Final Por corrente
Caixa DCT, 6 velocidades
Quadro Tipo diamante em tubos de aço
Suspensão Dianteira Forquilha invertida Ø41 mm, 120 mm
Suspensão Traseira Mono-amortecedor ajustável, curso 120 mm
Travão Dianteiro Dois discos de 310 mm, pinças radiais de 4 pistões, ABS cornering
Travão Traseiro Disco de 240 mm, pinça de pistão simples, ABS cornering
Pneu Dianteiro 120/70-17”
Pneu Traseiro 160/60-15”
Altura do Assento 790 mm
Distância entre eixos 1580 mm
Depósito 13,2 litros
Peso (ordem de marcha) 236 kg
Cores Branco, cinzento e preto
Garantia 3 anos
Importador Honda Motos Portugal
PVP 12 550€
PONTUAÇÃO
Honda Forza 750
Estética 4
Prestações 4,5
Comportamento 4,5
Suspensões 4
Travões 4
Consumo 4,5
Preço 4
Ficha técnica
Yamaha TMAX Tech Max
Motor Bicilindrico paralelo, refrigerado por líquido
Distribuição DOHC, 4 válvulas
Cilindrada 562 cc
Potência Máxima 47 cv às 7000 rpm
Binário Máximo 55 Nm às 5250 rpm
Embraiagem Multi-discos em banho de óleo
Final Por correia
Caixa Automática
Quadro Estrutura tubular em aço
Suspensão Dianteira Forquilha invertida, 120 mm
Suspensão Traseira Mono-amortecedor ajustável, curso 117 mm
Travão Dianteiro Dois discos de 267 mm, pinças radiais de 4 pistões, ABS cornering
Travão Traseiro Disco de 282 mm, pinça de pistão simples, ABS cornering
Pneu Dianteiro 120/70-15”
Pneu Traseiro 160/60-15”
Altura do Assento 800 mm
Distância entre eixos 1575 mm
Depósito 15 litros
Peso (ordem de marcha) 221 kg
Cores Cinzento e Dark Magma
Garantia 3 anos
Importador Yamaha Motor Portugal
PVP 15 850€
PONTUAÇÃO
Yamaha TMAX Tech Max
Estética 4,5
Prestações 4
Comportamento 4,5
Suspensões 4
Travões 4,5
Consumo 4,5
Preço 3,5


