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Crónica: Quase fui abalroado – Parte 37

Fernando Neto Por Fernando Neto
10 Março, 2026
em Crónicas, Motomais
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Os anos e os quilómetros que temos a andar de moto dão-nos sempre algo de muito positivo, nomeadamente o à vontade para lidarmos com certas situações que poderiam ser de um enorme susto para outros. Também nos dão uma maior serenidade (normalmente), pois já se sabe que durante a adolescência, e por aí fora, as hormonas dão-nos para exagerar em diversos aspetos, nomeadamente na forma como rodamos o punho do acelerador! Acima de tudo, com o passar dos anos começamos a olhar com mais atenção ao que se passa à nossa volta, pois já provámos o asfalto, sabemos como ele é duro e magoa, e porque temos noção que nem sempre a segurança depende só de nós, pelo que convém estar atento também aos outros. Todos os sustos que apanhámos quando erámos mais jovens podem então ter tido diversos significados: ou andávamos demasiado de “faca dos dentes”, e quando assim é, é previsível que os sustos surjam, ou até mesmos os acidentes; ou então, eram situações quase banais de trânsito mas que nos deixaram de coração na boca apenas porque não estávamos preparados para lidar com tal situação.

E porque me lembrei de escrever esta crónica? Porque após todos aqueles dias de tempestades e chuva diluviana, em que apenas peguei na moto quando era estritamente necessário, subi para a minha naked com o intuito de fazer finalmente algumas dezenas de quilómetros com a estrada seca. Estava a saber que nem ginjas, até que à chegada a Alverca, num cruzamento com semáforos que bem conheço, abrandei e olhei para a minha esquerda, mesmo sabendo que eu tinha sinal verde à minha frente. E ainda bem que o fiz, pois um pequeno SUV passou por mim como se nada fosse. Ou seja, o que poderia ter sido um grave acidente, nem sequer chegou a ser um grande susto, pois situações destas acabam infelizmente por ser frequentes. Mas causou-me irritação, claro que sim, pelo que buzinei para mostrar o meu desagrado (faço-o quando estou quase a ir ao chão por algo que não tive a culpa, para perceberem o mal que fizeram), e não deixei de ficar satisfeito quando o Dacia parou mais à frente devido ao trânsito. Parei ao lado da janela do condutor. “Então, não viu o sinal vermelho???” Do lado de dentro do carro um jovem casal, em que o condutor responde “não, não vi nada”! Durante 2 segundos dou uma vista de olhos ao interior do carro e encontro o sistema de navegação a funcionar e ao lado um tlm a passar vídeos no YouTube! “Já percebi tudo“, respondi eu enquanto apontava para o tlm. “Tenha mais atenção à estrada na próxima vez” rematei. E afastei-me ainda com alguma irritação e a pensar que já tinha conteúdo para mais uma crónica no site da Motos…

Há alguns anos houve diversas campanhas para apelar à não utilização do telemóvel (diga-se realizar e atender chamadas) durante a condução. Pois hoje em dia temos automóveis repletos de botões táteis (que não os conseguimos usar sem olhar para eles), sistemas de navegação gigantes, e ainda os nossos telemóveis com as suas redes sociais, vídeos com desenhos animados para acalmar as crianças e tudo mais. Inúmeras distrações para quem vai de carro. Nem sempre a tecnologia evolui da melhor forma, e este é um caso flagrante! E não venham com a história que toda a tecnologia dos automóveis permite colmatar isso, com os sistemas de travagem de emergência, os avisos sonoros para mudança de faixa, etc. Estamos sim com condutores cada vez mais burros e desatentos, com quem anda de moto isso também acontece, não na mesma medida (posso falar nisso numa próxima crónica), mas quem sofre mais é sempre quem segue de duas rodas. Por isso deixo o conselho, seja de carro ou de moto, concentrem-se ao máximo na condução e deixem as tecnologias para quando estão em casa a ouvir música no Spotify.

Assinado: um cota de 45 anos já com muitos quilómetros no lombo!

Tags: CrónicaFernando NetomotosRevista MotossegurançaSinistralidade

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