A Triumph apresenta a nova Speed Triple 1200 RS: uma potente naked, precisa e muito avançada tecnologicamente. Motor com 183 cv, suspensões eletrónicas, 199 kg de peso e múltiplas ajudas ajustáveis. No papel, é uma moto promissora, na prática, não é para todos. E é isso que a torna tão especial!
POR MANUEL MANZANARES • Fotos ISRAEL GARDYN

A Triumph Speed Triple 1200 RS de 2025 não anda com rodeios! Não procura agradar por simpatia nem negar as suas intenções. É uma moto que não engana desde a primeira vez que a vemos e muito mais quando temos oportunidade de rodar o punho direito. Não pretende convencer-nos com frases bonitas nem com dados insuflados. Quer sim que assumamos os seus comandos, a levemos a dar um passeio e depois, que retiremos as nossas próprias conclusões. Quando o fazemos damos conta de que aqui não há enganos nem jogo escondido. O que vemos é o que é: 183 cv de potência reais, diretos, descarregados sobre o asfalto com a contundência de um martelo manuseado com uma precisão cirúrgica.

O motor tricilindrico de 1160 cc mantém tudo o que permitiu a esta família ganhar tanta fama nas últimas décadas: uma sólida entrega de binário desde baixo regime, que não cai em nenhum momento e um carácter mecânico que não se esconde. Graças à nova estratégia de equilíbrio da cambota, o motor ganhou maior suavidade sem, no entanto, perder pitada da sua essência. Continua a ser um bloco exigente, com alma de competição e músculo de sobra para nos deixar pregados ao assento. Não admite meias medidas: se abrimos gás, responde se hesitação. Se nos distraímos, a eletrónica lembra-nos que está cá para nos ajudar e não complicar.

A ciclística é o ponto chave nesta RS. As suspensões eletrónicas Öhlins SmartEC3 não estão cá apenas para enriquecer a ficha técnica, mas sim para trabalhar. E fazem-no de forma exemplar. Adaptam-se em tempo real ao asfalto e ao estilo de condução. Podemos ajustar desde a firmeza em cada eixo ao grau de assistência em curva, aceleração ou travagem. O resultado é uma moto que se comporta como nós queremos e isso, neste segmento, marca a diferença. O painel TFT responde rápido, oferece boa visibilidade incluíndo com sol direto e o menu é claro: navegamos sem distrações, algo que noutros modelos não acontece. Na travagem, a Triumph também foi atualizada. As pinças Brembo Stylema com bomba radial MCS oferecem uma boa mordida, tacto e consistência. O sistema é potente, mas sobretudo, confiável. Não perde firmeza mesmo depois de travagens fortes consecutivas e mantém a progressividade. O ABS em curva funciona com lógica, sem ser demasiado intrusivo. No modo Track, temos margem suficiente para desfrutar em circuito. A fazer a ligação ao asfalto temos os Pirelli Diablo Supercorsa SP V3 instalados de série. Boa aderência, comportamento estável e excelentes em apoios prolongados. Quando ganham temperatura não deixam margem para dúvidas: agarram-se ao solo e permitem-nos desfrutar do traçado.

UMA BESTA PARA DESFRUTAR
A geometria da moto está bem conseguida. O novo guiador – ligeiramente mais largo e elevado – melhora a ergonomia e dá-nos maior controlo em curva. É uma naked desportiva, mas não é radical. Permite-nos desfrutar nas estradas mais rápidas sem castigar costas e pulsos. O assento, ainda que firme, mostra-se muito adequado dada a sua forma e permite-nos mover sem limitações. A sensação de ligação à moto é constante e os 199 kg de peso em ordem de marcha podem não cair bem na ficha técnica, mas a verdade é que em andamento é mais ágil que algumas rivais que declaram menos peso. Nota-se equilibrada e com reações rápidas. A nível de eletrónica, a Triumph foi inteligente. Equipou a Speed Triple apenas com o que faz sentido e não sobrecarregá-la. Temos cinco modos de condução bem diferentes, controlo de tração ajustável com IMU de seis eixos, quickshifter bidirecional que funciona a partir das 2300 rpm com precisão, controlo do travão motor, controlo anti-cavalinho, assistente de deslizamento em travagem, controlo de velocidade, arranque sem chave e conectividade total com o smartphone. Tudo funciona, tudo é útil. O interface de navegação por símbolos e o aviso de travagem de emergência são pormenores práticos e não apenas argumentos comerciais.

UMA DAS MAIS DESEJADAS
Esteticamente continua a ser 100% Speed Triple. Faróis em LED duplos, depósito esculpido, traseira afilada e mono braço oscilante. As novas jantes em preto brilhante são mais leves e transmitem maior agilidade sem perder rigidez. Vem com tampa para o assento traseiro de série, algo que outras marcas cobram como acessório. No geral, é uma moto que se impõe mas sem exageros e o mais importante é que tudo o que vemos é o essencial, que faz realmente falta ou é útil. Esses acabamentos estão perfeitamente alinhados com o preço. Não sentimos vibrações, os plásticos são de qualidade, os comandos retro-iluminados estão bem colocados e a montagem geral transmite solidez.

Mas é uma moto que requer alguma atenção e que não é para qualquer utilizador. O seu comportamento exige alguma habituação, uma vez que em cidade é algo brusca e em trajectos mais longos, dada a ausência de proteção aerodinâmica, pode ser mais exigente fisicamente do que estás acostumado. Não é uma moto pensada para viajar com passageiro nem com bagagem. Não é versátil, nem pretende sê-lo. O seu habitat natural são as estradas secundárias, as estradas de montanha ou aqueles troços mais técnicos onde damos primazia ao controlo e encaixe entre condutor e moto. A ritmos mais baixos pode parecer exagerada. Mas a partir do momento que sabes o que tens entre as pernas, não decepciona. Os 20 495€ que custa não é um capricho: é o que vale uma moto que realmente cupre com o que promete. Não nos vende uma experiência artificial. Não procura impressionar na ficha técnica. Brinda-nos com sensações reais, alto desempenho e uma ciclística que à altura de qualquer naked premium moderna. Também não é uma superbike disfarçada nem tão pouco uma touring encoberta. É uma naked genuína direta, precisa e sem excessos. Num mercado onde cada vez mais custa a distinguir o autêntico do “fabricado” isso vale muito.

A Triumph Speed Triple RS de 2025 não é perfeita mas é honesta. Quando a entendemos, torna-se numa super companheira de diversão, muito difícil de igualar.
CONCLUSÃO
A Speed Triple 1200 RS 2025 é uma moto com critério técnico e propósito muito claros. A sua potência exige respeito, mas está muito bem gerida. A ciclística e a eletrónica estão à altura. Não há excessos nem promessas vazias. É uma ferramenta precisa para quem procura sensações reais e sabe ler uma moto que responde ao milímetro. Não é a mais confortável, nem a mais barata. Mas é uma das mais completas e honestas do segmento.
Desde 20.495 €
PONTUAÇÃO
TRIUMPH
SPEED TRIPLE 1200 RS
Estética 4
Prestações 5
Comportamento 4
Suspensões 5
Travões 5
Consumo 3
Preço 3



