Num segmento dominado por nakeds que competem em linhas cada vez mais afiadas e fichas técnicas carregadas de números, a Suzuki decidiu abrandar o ritmo. As GSX-8T e GSX-8TT trocam a agressividade pela sobriedade retro e mostram que, às vezes, a sedução está no equilíbrio e não no excesso.
POR André Sanches • Fotos Rui Jorge (Suzuki)

A Suzuki cedeu ao apelo do estilo retro, ao apresentar duas novas versões assentes na plataforma de 800 cc. As novas GSX-8T e GSX-8TT chegam como alternativas para os motociclistas menos convencidos pela estética contemporânea da GSX-8S. É a mesma base, mas com um visual mais clássico, linhas menos agressivas e novos argumentos para quem procura consistência técnica aliada a uma estética intemporal.
Desde o seu lançamento em 2022, a plataforma de 800 cc da Suzuki tem somado distinções e prémios, tanto na GSX-8S como na V-Strom 800 e na GSX-8R. A marca japonesa decidiu agora expandir essa mesma plataforma para duas propostas naked retro, desenvolvidas a partir da GSX-8S mas com identidade própria.

O coração bicilíndrico paralelo manteve-se inalterado, com 776 cc e cambota a 270 graus, capaz de oferecer 83 cv às 8.500 rpm e 78 Nm às 6.800 rpm. Mais do que os números, impressiona o carácter, que desde as baixas rotações se mostra cheio, vigoroso e sempre pronto a responder. A entrega é linear, envolvente e acompanhada por uma sonoridade grave que lhe confere personalidade. A caixa de seis velocidades é suave e precisa, com relações bem escalonadas, e um quickshifter bidirecional de série praticamente exemplar neste segmento.
A ciclística assenta no mesmo quadro tubular em aço já conhecido, agora aliado a um depósito ligeiramente maior, com 16,5 litros de capacidade, que reforça a sua vocação prática e autonomia. O peso em ordem de marcha situa-se nos 201 kg para a GSX-8T e 203 kg para a GSX-8TT, valores que não comprometem a sua agilidade. As suspensões KYB mantêm o equilíbrio entre firmeza e conforto, revelando-se competentes tanto em ritmo descontraído como em condução mais viva. A suspensão traseira é ajustável na pré-carga da mola, permitindo adaptar a moto ao peso do condutor ou passageiro, aumentando ainda mais a versatilidade. A travagem, assegurada por discos de 310 mm e pinças radiais Nissin, transmite confiança e poder de travagem mais do que adequado para os diferentes tipos de condução.

A Suzuki manteve a filosofia de simplicidade funcional. Equipa um painel digital TFT de 5 polegadas, claro e intuitivo, modos de condução simples (A, B ou C), controlo de tração ajustável em três níveis (com possibilidade de desligar) e um acelerador eletrónico bem calibrado. A entrada USB passou a ser Tipe-C, detalhe que revela atenção às exigências atuais. Não há excesso de modos nem complicações desnecessárias, apenas o essencial, bem afinado.
O assento foi redesenhado, com densidades diferentes e ligeiramente mais largo, o que melhora o conforto em utilização prolongada. A GSX-8T tem a altura de assento mais confortável, com 815 mm, enquanto a GSX-8S e a GSX-8TT situam-se nos 810 mm. A posição de condução mantém-se equilibrada, com tronco ligeiramente inclinado para a frente, braços bem posicionados e guiador que oferece boa manobrabilidade.

É no estilo que as diferenças mais se fazem notar. Ao contrário da GSX-8S, que apresenta linhas modernas e agressivas, as GSX-8T e 8TT optam por um visual mais cuidado e retro, evocando a herança da marca sem deixar de ser contemporâneas. O design foi pela primeira vez desenvolvido fora do Japão, com forte contributo europeu, traduzindo-se em proporções equilibradas e numa estética menos polarizadora.
A GSX-8T apresenta elementos que reforçam o seu carácter retro e a atenção ao detalhe: bateria de lítio, assento “Tuck & Roll”, espelhos maquinados montados nas extremidades do guiador para maior visibilidade frontal sem prejudicar a traseira, ótica LED redonda com fundo achatado, emblema “Suzuki” e emblema do modelo exclusivos com relevo, tampa de motor preta e saída de escape em inox. A GSX-8TT mantém o mesmo espírito mas com uma carenagem frontal e uma inferior que aumentam a sua presença e aerodinâmica.




Com preços de 10.499 € para a GSX-8T e 11.499 € para a GSX-8TT, estas novas versões posicionam-se de forma competitiva no segmento. São motos que não pretendem ser excessivamente tecnológicas ou revolucionárias, mas sim consistentes, honestas e maduras. Para quem procura uma naked retro de comportamento sólido e previsível, com carácter suficiente para divertir e confiança para viajar, a GSX-8T e a GSX-8TT são propostas a ter em conta.
ficha técnica
Suzuki GSX-8T / TT
Motor Dois cilindros em linha, 4T, refrigerado por líquido
Distribuição DOHC, 4 válvulas
Cilindrada 776 cc
Potência Máxima 83 cv às 8500 rpm
Binário Máximo 78 Nm às 6800 rpm
Versão limitada A2 Não
Embraiagem Multidisco em banho de óleo, deslizante
Final Por corrente
Caixa 6 velocidades
Quadro Estrutura tubular em aço
Suspensão Dianteira Forquilha invertida
Suspensão Traseira Monoamortecedor, ajustável na pré-carga
Travão Dianteiro Dois discos, ABS
Travão Traseiro Disco, ABS
Pneu Dianteiro 120/70-17”
Pneu Traseiro 180/55-17”
Comprimento Máximo 2115 mm
Largura Máxima 775 mm
Distância entre eixos 1465 mm
Altura Máxima 1105 mm
Altura do Assento 815 mm
Depósito 16,5 litros
Peso (a cheio) 201 kg
Cores Verde, dourada e cinzenta / verde e preto
Garantia 3 anos
Importador Moteo Portugal
PVP 10 499€ / 11 499€
PONTUAÇÃO
Suzuki GSX-8T / TT
Estética: 4,5
Prestações: 4
Comportamento: 4,5
Suspensões: 4
Travões: 3,5
Consumo: 4,5
Preço: 4



