Fundada em 1982,a Zonsen (ou como conhecemos, Zongshen) é o maior grupo de motociclos da China, com mais de 4 milhões de motores produzidos por ano e cerca de um milhão de motos. Apesar de equipar blocos de muitas motos que chegam à Europa, este enorme grupo chines entra agora no mercado português e espanhol pelas mãos da Multimoto, com uma marca própria, Cyclone.
POR João Fragoso • Fotos Multimoto

De forma a introduzir a marca, o novo importador – e primeiro da Europa – convidou os jornalistas portugueses e espanhóis a testar sete motos diferentes. Vamos assim tentar resumir as sensações de sete motos abaixo. Pode ser difícil, mas vamos tentar.
Começar com caixa
Comecemos por falar dos três modelos 125cc com caixa manual. Foram três motos bem diferentes, cada uma com as suas valências e de gamas diferentes. A naked tem o nome de Battlo, a custom é a RA125 Plus e a trail a RX1 Pro. Todas contam com um motor de 15 cv e refrigeração líquida, sendo que notámos algumas diferenças entre elas no que diz respeito à disponibilidade do bloco. A RA125 Plus revelou-se bastante mais enérgica que as irmãs e, na verdade, foi a moto que mais nos agradou das três referidas acima.

Para além do motor, o tato e potência dos travões está também num nível superior às restantes. Ergonomicamente também se revelou a mais confortável, com um assento com boa espessura e uma posição natural, mesmo para uma moto custom. A Battlo, por outro lado, apresentou uma posição algo extrema, principalmente nas pernas, bastante chegadas para trás, contrastando com a RA125 e mesmo com a RX1 Pro, que apresenta efetivamente uma posição de trail.


Sucesso automático
Vamos a mais três motos? Desta vez scooters. A Cyclone apresentou-nos uma scooter 125 cc, a RT1, e duas 300 cc, a RT2 e a RT3S. A mais pequena da família (a todos os níveis) mostrou-se bastante enérgica e competente a todos os níveis. O motor de 12 cv é muito rápido e responsivo, uma das características mais importantes numa scooter de 125 cc . Para além disso, o restante conjunto é muito equilibrado, com destaque para as suspensões, principalmente para o duplo amortecedor traseiro que absorve muito bem todos os ressaltos e irregularidades.

Aumentando a cilindrada, a RT2 é quase uma réplica da RT1 em todas as suas qualidades, mas com um motor mais potente, muito rápido e responsivo.

Esse mesmo bloco equipa a RT3S, a versão “maxi”, que por sua vez pesa cerca de 20 kg mais, algo que se nota. Os 24 cv que se mostram irreverentes na RT2, parecem curtos na RT3S devido ao peso extra, ainda que “ciclisticamente” a scooter esteja bastante equilibrada, oferecendo uma posição de condução bastante confortável, principalmente quando colocamos os pés numa posição um pouco mais avançada. Espaçosa e cómoda, a maxi scooter iria beneficiar de uma dose extra de cavalos para ficar quase perfeita.

A jóia da coroa
Para o fim do dia, a Cyclone reservou-nos o seu ex libris, a RX600 – pelo menos nesta apresentação. Com um motor bicilíndrico de 550 cc e 59 cv (possível de limitar a carta A2), esta trail de média cilindrada quer abanar o mercado. Com o preço a começar nos 5.290€, a marca chinesa quer oferecer muito por pouco. E a verdade é que equipamento não falta a esta RX, que conta com painel TFT com possibilidade de espelhar o smartphone, iluminação Full LED, sensor de pressão de pneus, comandos retro iluminados, ABS de duplo canal (totalmente desconectável), controlo de tração e suspensões ajustáveis na dianteira e traseira. Mas o que importa no fim do dia é perceber se tudo isto funciona e se a concepção da moto nos permite usufruir desse mesmo equipamento. Assim que nos sentamos na RX600 sentimo-nos confortáveis, sendo a posição de condução bastante natural e ergonomicamente bem desenhada. O guiador em alumínio é largo e os comandos do lado esquerdo são de fácil interação, ainda que a navegação no painel TFT não seja a mais intuitiva, principalmente quando queremos desligar o ABS – aí pode ser bastante frustrante realizar a navegação apenas com dois botões.

Após o primeiro contacto com a moto, e de estarmos bem instalados – em parte pelo assento muito confortável – ao colocar a RX600 em funcionamento, o som do bicilíndrico soa familiar, o que nos indicia que a Cyclone se baseou num motor com provas mecânicas dadas. Contudo, percebemos também que este bloco deve ter alguns anos de existência, pelo seu comportamento um pouco mais áspero, mesmo que a caixa de velocidades seja muito suave e a embraiagem deslizante nos ajude nas reduções. Um ponto contra, e que tem estado presente em muitas marcas chinesas que se querem afirmar na europa, é a injeção. Esta mostrou-se irregular e demasiado brusca, mesmo quando tentamos ter um acelerador constante a velocidades um pouco mais elevadas. Já as suspensões, revelaram um comportamento bem moderno, com uma boa leitura do piso e uma excelente capacidade de absorção das irregularidades. Fora de estrada, podem ser demasiado suaves, dependendo do que pretendemos fazer com a RX.

Um apanhado do dia
A gama Cyclone para Portugal terá mais do que sete modelos, sendo que aqueles que nos permitiram testar, foram suficientes para ter um entendimento do que será a presença da marca chinesa no nosso mercado. As 125 cc com caixa de velocidades necessitam de algum trabalho, essencialmente no departamento da ciclística nomeadamente ao nível da ergonomia e travagem – sendo a RA125 Plus a mais completa e a que menos temos a apontar. Por outro lado, as scooters mostraram maturidade, e todas elas são sérias candidatas a concorrer com as atuais líderes do mercado nas respectivas categorias, não só pelo preço, mas essencialmente pela qualidade demonstrada. A RX600 mostrou muita competência no que diz respeito ao conforto e facilidade de utilização, ainda que necessite de melhorias, especialmente ao nível da injeção e da travagem – que se revelou inconstante no tato e potência. Eletronicamente, o controlo de tração revelou-se demasiado intrusivo, o que nos fez rodar praticamente todo o dia com o mesmo desligado, na estrada e fora dela.

Um olhar para o futuro
Uma das marcas adquiridas pelo grupo Zonsen é a Voge, o que significa que haverá partilha de conhecimento e plataformas no futuro. O plano do grupo chinês é expandir a gama Cyclone, recorrendo a parcerias e inovações tecnológicas que possam impactar o mercado de forma positiva. Nos planos está uma naked tetracilíndrica de 1000 cc, uma custom de 550 cc e uma gama mais premium. Foi revelado ainda que uma scooter de 400 cc e uma ADV estão a ser pensadas para o primeiro trimestre do próximo ano, assim como uma nova trail 125 cc, 625 cc e uma 800 cc. Esta expansão da gama é representativo da aposta forte do grupo no mercado europeu, e no foco do mesmo nos principais segmentos do velho continente. Há melhorias a serem feitas nas motos que já integram a gama, mas o futuro parece promissor tendo em conta a dimensão do grupo Zonsen, o conhecimento técnico que este possuiu e todas as parcerias emergentes. A aposta num importador como a Multimoto como primeiro distribuidor na Europa, pode ser também uma enorme ajuda para que a Cyclone perceba um pouco melhor as exigências do mercado e as necessidades do mesmo, para que possa trabalhar nessa direção.




