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Contacto BMW M 1000 R – Teste à sanidade mental

Fernando Neto Por Fernando Neto
3 Março, 2026
em Motomais, Testes
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Passaram-se dois anos desde que a BMW lançou a primeira geração M da sua naked mais potente. Pode não ser uma irmã gémea da S1000 RR, mas as semelhanças são muitas e herda muito do que há de bom na superdesportiva germânica. Para 2025 a promessa é de refinamento, mantendo a extravagância que é pedida numa moto sem carenagem com mais de 200 CV.

POR João Fragoso  • Fotos Paulo Calisto

A imponência da M1000 R começa no seu aspecto extremamente agressivo, com muito carbono e umas asas dianteiras que nos intimidam e lembram que as motos acima dos 180 CV são “obrigadas” a ter apêndices aerodinâmicos. Mas por eles passaremos. Antes disso, o motor. São 210 CV de pura loucura. É isto. Falamos exatamente da mesma potência encontrada na S1000 RR de 2025, mas com uma relação de caixa mais curta na 4ª, 5ª e 6ª velocidades – como se fosse necessário. Estamos assim perante uma imensidão de potência que, provavelmente, nunca vamos utilizar na sua plenitude em estrada. Apesar desta moto se tornar mais amigável nos modos de condução Road e Rain, o acelerador M (com curso mais curto) e toda a cavalagem, fazem desta naked um autêntico foguete em qualquer situação e rotação. Sentimos bem o efeito do sistema Shift Cam, que oferece também um comportamento bem característico a este tetracilíndrico, sendo este mais áspero que o normal a baixa rotação, acordando verdadeiramente a partir das 10.000 rpm – conseguindo ainda mais 4.600 rpm até ao “red line”.

Para situações do dia a dia  a BMW não quer ser civilizada. O rugido constante do motor, semelhante a um leão pronto a atacar, pede sempre um pouco mais de acelerador, algo que nem sempre conseguimos providenciar. Fora da cidade, a história é outra. Conseguimos mais facilmente libertar os 200 CV e fazer o coração desta naked bater bem depressa, mas temos de nos lembrar que as retas deixam de as ser, e passam a ser curvas mais largas, tal é a rapidez com que tudo acontece. Tanta potência talvez seja demasiada para qualquer situação na via pública, mas oferece a vantagem de ter muita disponibilidade e binário que não teríamos com menos cavalagem.

Espírito selvagem

De série a M1000 R equipa umas suspensões eletrónicas totalmente ajustáveis, surpreendentemente confortáveis para circular a baixas velocidades e com um bom comportamento a lidar com pequenos ressaltos e irregularidades. O maior prejuízo será mesmo o assento que não acompanha esse conforto. Porém, apesar de confortáveis a baixas velocidades, estas suspensões funcionam muito bem a velocidades elevadas. Têm uma firmeza de fazer inveja a algumas desportivas, mantendo uma excelente leitura do asfalto, tanto na dianteira como na traseira. Contudo, o seu ótimo funcionamento, mesmo no modo de condução Road, está num patamar de condução já algo elevado e exigente. A dianteira é capaz de entradas muito rápidas em curva e permite abusar dos pneus, mas em aceleração o contacto da roda dianteira com o alcatrão perde-se facilmente se não tivermos cuidado com o punho direito.

As ajudas eletrónicas não nos permitem entrar em caminhos mais apertados, mas transições de curva onde queremos aproveitar para utilizar o acelerador, podem tornar-se matreiras por reações mais inesperadas da frente. Mas se há um departamento onde não encontramos surpresas é na travagem. As pinças M e os discos de 300 mm oferecem um excelente tato e muita potência, entrando, potencialmente, para o topo da lista de motos com melhor travagem. Atrás o disco de 220 mm é também um ótimo complemento. Ciclísticamente a M1000 R está claramente pensada para uma condução mais desportiva e sentimos que o seu funcionamento ótimo é em regimes elevados.

Herdeira digna

Esta M1000 R herda não só o motor da sua irmã super desportiva, como também muita da tecnologia. E ainda bem. Na verdade, é a tecnologia que encontramos na M1000 R que nos permite tirar partido desta moto, porque sem ela seria impossível – pelo menos para o comum dos mortais que não tenham escrito “Toprak” no seu CC. Sistemas como o controlo de cavalinhos, controlo de derrapagem e controlo dinâmico de travagem, permitem abusos de diversas formas e mesmo assim manter o controlo da moto. O QuickShifter funciona de forma sublime – provavelmente o melhor que já testámos numa BMW – e em conjunto com o acelerador rápido M, as retas quase que desaparecem e onde o controlo de tração dinâmico tem de trabalhar muito.

Contamos ainda com cinco modos de condução (Rain, Road, Dynamic, Race e Race Pro, este com 3 definições personalizáveis) bastante diferentes entre si, ainda que nenhum deles seja “amigável”. Mas é no Race Pro que estão todas as definições personalizáveis e apesar de não ser extremamente intuitivo chegar à personalizações, há depois muito por explorar e para “brincar” no TFT de 6,5”. Para nosso conforto, temos ainda punhos aquecidos, cruise control e um sistema de ignição keyless, todos bem vindos. E a melhor forma de elogiar a tecnologia é dizer que nunca sentimos que estivesse a atuar, à excepção de quando percebemos claramente que a roda dianteira não se eleva mais do chão, não por habilidade nossa, mas por uma eletrónica muito boa, que mesmo assim nunca impediu a nossa progressão.

Mais do que a base

A BMW M1000 R é mais do que uma excelente hypernaked. Depois de termos testado há algumas edições atrás a S1000 R, foi interessante perceber o quão diferentes podem ser duas motos, aparentemente semelhantes. Apesar da maior desportividade da M1000 R, as suspensões apresentam um comportamento mais amigável no dia a dia, mesmo que o motor não tenha a mesma suavidade da S1000 R. A M é toda ela mais refinada e apresenta-se quase como uma versão melhorada e exclusiva da S. Se entrarmos então no configurador da BMW, percebemos que os acessórios e equipamento opcional para esta moto são quase infinitos e podemos mesmo ter uma M1000 R praticamente exclusiva.

CONCLUSÃO

A BMW M1000 R é uma moto multifacetada, mais do que poderíamos esperar. Ainda assim, faz justiça ao seu aspecto agressivo, exigindo firmeza do seu “dono” quando nos aplicamos e queremos explorar o seu potencial. Todos podemos sonhar com uma, mas não é moto para todos.

Ficha técnica

BMW M1000 R

Motor                                     Quatro cilindros em linha, 4T, refrigerado por líquido
Distribuição                           BMW ShiftCam

Cilindrada                              999 cc

Potência Máxima                   210 cv / 13.750 rpm

Binário Máximo                     113 Nm / 11.100 rpm

Embraiagem                          Multidisco em banho de óleo, deslizante

Final                                       Por corrente

Caixa                                      6 velocidades

Quadro                                   Dupla trave em alumínio com motor autoportante

Suspensão Dianteira              Forquilha invertida, 45mm, eletrónica

Suspensão Traseira                Monoamortecedor, ajustável eletrónicamente

Travão Dianteiro                    Dois discos, 300 mm, pinça M

Travão Traseiro                      Disco, 220 mm, pinça de êmbolo simples

Pneu Dianteiro                       120/70-17”

Pneu Traseiro                         200/55-17”

Comprimento Máximo          2085 mm

Largura Máxima                    996 mm

Distância entre eixos              1455 mm

Altura Máxima                       1176 mm

Altura do Assento                  7830 mm

Depósito                                 16,5 litros

Peso (a cheio)                        199 kg

Cores                                      Branco Aluminio; Branco ; Preto

Garantia                                 3 anos

Importador                             BMW Motorrad Portugal

PVP                                        desde 23.830€ (30.704€ versão testada)

PONTUAÇÃO

BMW M1000 R

Estética                       4

Prestações                   5

Comportamento         4,5

Suspensões                 4,5

Travões                       5

Consumo                    3,5

Preço                          3,5

Tags: BMWBMW M 1000 RBMW MotorradmotosNaked bikeRevista Motos

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