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Reportagem A Inteligência Artificial e as Motos

Fernando Neto Por Fernando Neto
15 Setembro, 2026
em Artigos, Notícias
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Qual o futuro do motociclismo?

Que o mundo está em profunda mudança, ninguém tem dúvidas, mas a grande questão é: será que é para melhor? Estamos crentes que sim e a Inteligência Artificial é a chave para essa mudança. Desde o design, concepção, fabrico, utilização quotidiana, alto desempenho em competição, passando pela segurança e controlo pelas mais diversas entidades, ninguém está a salvo. Um autêntico “big brother”, neste mundo cada vez mais acelerado e… controlado!

POR Domingos Janeiro  •  Fotos Marcas

São momentos difíceis aqueles que vivemos, principalmente para quem não suporta a ideia de estar a ser constantemente vigiado, controlado e até perseguido. Mas é o mundo moderno e a chamada evolução. É inevitável! Já começa a ser “banal” a intervenção cada vez mais presente da Inteligência Artificial (IA) em detrimento da intervenção humana (tema complexo, principalmente quando a “máquina” dispensa a intervenção humana e arrasta para o desemprego muita mão de obra). A questão que nos interessa neste caso, é a eficiência e eficácia que o mundo exige cada vez mais à tecnologia, sacrificando muitas vezes os próprios valores humanos. Opiniões pessoais à parte, este é um caminho inevitável, mas o segredo está no equilíbrio efetivo entre IA e Ser Humano (SH). Não basta pensar de que forma a IA nos pode ser útil, mas pensar na mesma medida qual será o papel do SH no futuro. Não queremos que as máquinas se sobreponham à atividade humana, mas que sejam sim uma ferramenta que possa contribuir para que todos possamos ter uma vida melhor e mais descansada.

Segurança

É onde o nosso foco acaba por se centrar mais, porque cada vida salva, já valeu a pena. Se é verdade que os números de vítimas mortais como consequência de acidentes de viação ainda é muito alto, e uma das explicações para isso é o incremento de veículos vendidos, se formos analisar bem os números, vemos que em termos de proporção, acaba por haver menos vítimas mortais. Isso deve-se ao incremento dos sistemas de segurança nas motos e automóveis, mas ainda há muito caminho por percorrer. Aos cada vez mais presentes sistemas de segurança como ABS, controlo de tração, anti-cavalinho, diferentes mapas de entrega de potência, entre muitos outros, são cada vez mais comuns as motos com radares, que nos ajudam a perceber e controlar melhor o meio envolvente, prevenindo colisões frontais, alertando para potenciais colisões traseiras, aviso da presença de veículos nos ângulos mortos e até ajustar o “cruise control” de acordo com os veículos que circulam à nossa frente. Será possível, num futuro próximo, obter outras informações em tempo real do meio que nos rodeia, incluíndo peões, alertas da presença de veículos em cruzamentos ou zonas com reduzida visibilidade, interagir de forma automática com os restantes veículos ao nosso redor, bem como com os semáforos, radares e câmaras nas grandes cidades. Tudo em prol da segurança, mas, uma vez mais deixa muitas questões em aberto sobre proteção de dados e também, as novas formas de operar por instituições como as seguradoras ou as próprias autoridades. O que urge é impedir por completo a condução sob o efeito do álcool (uma vez que já há formas de o fazer noutros países) e de alguma forma restringir a velocidade dos próprios veículos em determinadas vias e/ou ocasiões. Nada disto demite o estado, autarquias e quem gere as estradas a nível nacional de cumprirem com as suas obrigações como manter as vias sempre no melhor estado possível de circulação, bem como o estado de conservação da sinalização. O futuro passará a ser de prevenção e não de reação, numa era em que os algoritmos dominam por completo os ímpetos das empresas de desenvolvimento tecnológico como a Continental, a Bosch, Siemens, entre outros! Estas marcas, em conjunto com alguns dos mais poderosos fabricantes de motos e automóveis, estão a trabalhar em parceria, a criar sinergias entre si, para desenvolver de forma acelerada tecnologias que possam tornar as motos cada vez mais seguras (e com menos interesse, dirão muitos de vocês…).

A nuvem controla…

O conceito de viver nas “nuvens” tem vindo a ganhar outro sentido… se antes servia para personificar um estado de espírito super-feliz, hoje em dia o conceito de “nuvem” significa onde temos parte da nossa visa… os documentos de trabalho, estão na nuvem; as fotografias da família, estão na nuvem; os nossos dados pessoais, as conversas com os amigos e a família e até os jogos, estão na nuvem… e a tendência é não abrandar, antes pelo contrário, é de acentuar esse controlo “abstrato” sobre a nossa vida. Por falar em Bosch, esta é uma das marcas que recentemente deu a conhecer alguns dos caminhos que querem seguir no futuro. Em entrevista à “Motorcycle News”, Geoff Liersch, Diretor do Departamento de Motos da Bosch, partilhou os mais recentes avanços nas tecnologias que brevemente serão aplicadas às motos e cujo objectivo é “tornar as motos cada vez mais seguras e confortáveis, com recurso a tecnologias inovadoras, sem retirar prazer de condução.”  Nos dias que correm, a Bosch já tem radares capazes de nos oferecer “cruise control” adaptativo que pode levar mesmo a que a moto pare por completo em situações de trânsito parado ou intenso; identificar formações de grupo e ajustar a distância de moto para moto, avisos de colisão e distância e aviso de veículo no ângulo morto. Tudo isto já utilizado em algumas marcas e modelos de motos.

O trabalho de maior relevo que a Bosch está a fazer é na conectividade entre motos e os demais utilizadores das vias, uma tecnologia que vai permitir que os veículos troquem informações entre si em tempo real, com a ideia de se criar uma espécie de “bolha digital” para cada veículo, que alerta antecipadamente os condutores sobre a presença das motos. Isto aplicado a todos os veículos que circulam na estrada, peões e até infra-estruturas trará maior segurança e conforto para todos.

Outras áreas

A Inteligência Artificial está já presente em todos os momentos das nossas vidas, a maior parte das vezes, nem damos por ela. Desde uma simples pesquisa no telemóvel, passando pela criação de imagens e vídeos, responder às nossas questões e até ajudar na tomada de decisões, existe um sem fim de possibilidades e oportunidades. Aplicado, neste caso concreto, às motos, a IA pode ser uma ferramenta completamente revolucionária e que irá marcar, certamente um “antes e depois” nesta indústria. Desde o design, ao desempenho e segurança, tudo pode sofrer profundos impactos. Isto porque de forma mais célere, o desempenho, economia e eficácia aerodinâmica podem ser melhorados, onde antes eram necessários vários anos de estudos aprofundados. Uma era onde os algoritmos reinam e onde esse “gigante com fome” chamado IA se alimenta de toda a informação que mundialmente recebe todos os dias. Alimenta-se dos dados e informações que nós humanos, lhe vamos transmitindo, atualizando-se de segundo a segundo e tornando cada vez mais eficiente as respostas dia após dia. Nas motos é igual, com a quantidade de informação gerada todos os dias, os algoritmos vão permitindo aos fabricantes atuar nas falhas mais comuns, fazendo evoluir os seus sistemas de segurança, conforto, economia e eficácia dos motores.

Sensores, dispositivos ultra-sónicos, acelerómetros, sensores de temperatura, pressão dos pneus, câmeras, sistemas de GPS, radares e IMU’s de última geração, ajudam a compilar informação em tempo real quer do desempenho dos motociclistas como das motos. A informação gerada pode ser agora imediatamente analisada e transmitida aos condutores (sob forma de alerta) em tempo real para que estes possam reagir imediatamente e prevenir assim acidentes ou quedas.

Em termos mais latos, a IA tem vindo a assumir um papel preponderante na própria evolução das motos, como no design, que permita aliar cada vez mais o estilo à eficácia. Em todos estes temas, as motos e scooter elétricas levam vantagem, já que ao serem elétricas nos oferecem outras possibilidades de gestão do próprio veículo, bastando muitas vezes ter um telemóvel e uma aplicação para controlarmos todas as variantes e variáveis destas.

Screenshot

Para as marcas é ouro sobre azul porque, cada vez mais, podem fazer produtos mais eficientes, com maior segurança, conforto e menos custos.

IA e o design

Longe vão os tempos em que os designs futuristas das motos saiam das mentes brilhantes dos designers, que depois, com ajuda de ferramentas informáticas, iam ganhando a forma final, para depois passar ao departamento seguinte, do estudo da aerodinâmica. Nos dias que correm, os processos mudaram um pouco e em questões de segundos podemos criar designs novos, arrojados e até, com alguns cuidados aerodinâmicos… e o pior disto tudo é que nem necessitamos de dominar as ferramentas de edição, há aplicações que através de uma foto de uma moto qualquer, nos permite criar a moto dos nossos sonhos. Depois é tentar replicar na “vida real” mas a base está feita e em poucos segundos…

A internet está cheia de galerias de desenhos virtuais e até de conceitos novos de motos que, podem parecer demasiado vanguardistas ou utópicos mas a verdade é que muitos deles teriam “pernas para andar” caso algum customizador ou fabricante optasse por dar vida a esses projetos… no entanto, é muito fácil criar essas motos e colocá-las a andar e até fazer reviews das mesmas, tudo de forma virtual, pois claro… tem tanto de impressionante como de fascinante, como podemos ler através deste artigo publicado no nosso site MotoMais: www.motomais.motosport.com.pt/noticias/um-mundo-novo-por-explorar-a-inteligencia-artificial/.

A IA e o desporto

A competição é outro dos universos onde a IA se sente como “peixe dentro de água” e onde os fabricantes e empresas investem cada vez mais milhões de euros. Se antes a “guerra” passava por retirar peso às motos, pilotos e equipamentos/acessórios, agora o desafio é outro: eletrónica, aerodinâmica, eficácia dos motores e ciclística. Num relatório apresentado pela G42, uma consultora de Abu Dabi e publicado no nosso site MotoMais (www.motomais.motosport.com.pt/destaque-homepage/a-ia-e-o-futuro-do-desporto), estão reunidas, ao longo de 60 páginas, dados, opiniões e conclusões sobre como a IA está a afetar o treino dos atletas, a prática de desportos e a relação entre os atletas e os fãs, bem como a sua monitorização.

A sociedade em geral está a acompanhar coletivamente a curva de adoção da tecnologia, ficando cada vez mais confortável com a IA a cada dia que passa, não só no trabalho, mas também na vida quotidiana.

Cerca de 69% dos executivos desportivos seniores, afirmam que se sentem confortáveis a utilizar ferramentas de IA no seu dia a dia. Enquanto 36% dos inquiridos manifestaram preocupação em serem substituídos pela IA, 61% afirmaram não estar preocupados com a perda de emprego.

Em vez do medo, muitos estão agora a concentrar-se nos benefícios práticos: apoio em tarefas aborrecidas ou repetitivas (33%), melhor interpretação de dados (30%) e operações mais tranquilas (27%).

A IA generativa avançou a um ritmo tão acelerado que os reguladores estão a lutar para acompanhar, particularmente em setores como o desporto, onde os dados pessoais e biométricos e até as decisões de desempenho são cada vez mais influenciados pela IA.

Mesmo aqueles que trabalham em estreita colaboração com a tecnologia manifestaram preocupações sobre as implicações das decisões baseadas em IA e da privacidade dos dados.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram recentemente que vão introduzir a inteligência artificial (IA) como disciplina obrigatória em todas as escolas públicas a partir do ano letivo de 2025-2026, uma iniciativa que outras nações também estão a seguir.

IA, Estratégia e Táticas

Com a maioria das organizações desportivas ainda nos estágios iniciais de adoção, os gastos atuais com IA ainda são relativamente baixos. Mais de metade (54%) dos executivos seniores inquiridos no Inquérito IA no Desporto de 2025 não gastam nada, ou gastam menos de 100.000 dólares por ano. A estes níveis, mostrar retorno no investimento é fundamental, mas isso é difícil quando se trata de estratégia e tática. Em 2024, o G42 monitorizou o impacto da IA nas táticas de treino de equipas: simulando cenários de competição, ajustando a seleção de equipas e treinos.

A IA ainda auxilia na análise pré e pós-desempenho e em algumas decisões durante um jogo, mas ainda está apenas no início das suas capacidades, e nem todos os desportos estão a avançar em uníssono – algo como o futebol americano da Premier League, é mais progressivo do que outros, como o motociclismo.

Os especialistas acreditam que a verdadeira mudança virá quando os reguladores permitirem que as equipas façam mais com dados em direto durante as competições. Na MotoGP, por exemplo, há algum tempo que as motos estão ligadas a GPS, para ajustar eletronicamente a suspensão ou curva de ignição para uma determinada curva… mas telemetria ativa, comandada pela boxe, ainda é proibida. Mas será uma evolução inevitável num futuro próximo da integração entre o desporto e IA, que passará a sugerir melhorias na afinação segundo a sua análise.

Utilizar a IA para processar dados e influenciar decisões durante um treino ou corrida irá desencadear uma transformação ainda maior na forma como o desporto é praticado, gerido e consumido. Aprender a adaptar-se e a capitalizar os novos recursos será crucial, à medida que a IA continua a evoluir e a melhorar.

Cerca de 41% dos decisores desportivos já utilizam “chatbots” ou assistentes virtuais de IA para contacto com clientes nas suas organizações, de acordo com o Inquérito IA no Desporto 2025. Desenvolvê-los em agentes autónomos de tomada de decisão é o próximo passo natural. A IA está a ter um impacto drástico no treino, na observação de atletas e no patrocínio e divulgação nos media, alargando os caminhos para o desempenho máximo e abrindo novas fontes de receita para os atletas.

Treino virtual

Embora o Inquérito IA no Desporto de 2025 mostre que os executivos desportivos seniores veem o enorme potencial da IA nos desportos, o uso de ambientes semelhantes a jogos eletrónicos no treino de atletas tem vindo a crescer nos desportos profissionais. Qualquer piloto pode treinar uma pista desconhecida para si na Playstation antes de a visitar na realidade.

Uma nova faceta deste excitante campo está a emergir na confluência entre ambientes imersivos e dispositivos em rede.

Ao captar fluxos de vídeo e dados de posicionamento à medida que uma moto evolui em pista, por exemplo, a volta ideal pode ser recriada virtualmente – todos os movimentos, gestos com as mãos, e ações nos controlos poder ser rendidos digitalmente em tempo real.

Isto é algo que normalmente só era possível com os tipos de câmaras e sistemas de computadores de elevado custo utilizados em Hollywood, como nos filmes Matrix.

Igualmente, na criação de videojogos, os fãs estão a exigir inovação na forma como se envolvem com os seus atletas favoritos, e as organizações estão a responder com maiores investimentos em experiências para os fãs através de IA.

Nos próximos 1 a 2 anos, os executivos desportivos seniores planeiam investir especificamente na produção de conteúdos de IA (55%) e no compromisso com a IA para os fãs (38%).

Ainda é cedo para definir exatamente até onde irá o envolvimento da Inteligência Artificial no desporto… uma coisa é certa, daqui a uns anos, nada será igual ao que conhecemos hoje!

Tags: IA no motociclismomotociclismomotosProteção nas motosRevista MotosSegurança nas motos

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