A subjectividade de um tema pode causar arrepios ao mais cimentado dos silogismos. A massa crítica alimenta-se da informação disponível, e a época em que vivemos é profícua na quantidade, em detrimento da profundidade de raciocínio. Corta-se e subtrai-se para dirigir o foco, e perdem-se horizontes de pensamento, porque a linearidade do mesmo entra em rota de colisão com a multiplicidade de visões possíveis.
POR Pedro Alpiarça
Ora então, no nosso mundo tão específico, o conceito de comparativo foge muitas vezes à racionalidade óbvia de enquadrar números e categorias. Num objecto mecânico tão alavancado pela paixão, a única garantia que temos quando nos propomos a um determinado estudo, é a de que vocês, público, irão abraçar o ponto de vista consoante a graduação das vossas lentes emocionais. Porque nós não podemos fazê-lo.
Temos a noção de que somos uns privilegiados em conseguirmos ter diferentes modelos para testar na mesma janela de espaço e tempo, e esse fator é altamente decisivo quando nos dedicamos à arte de conduzir um veículo de duas rodas. As sensações transmitidas, a sua comunicação e acessibilidade (ou o desafio que nos coloca), são por vezes bastante mais importantes do que a missão destinada. Se colocarmos na equação os diferentes valores associados ao produto, ficamos ainda mais manietados nas opções a considerar. O mercado está cada vez mais completo…e complexo.

Segue-se um princípio simples. Mais do que explicar para o que serve, importa explicar para quem serve. Porque duas máquinas aparentemente semelhantes na forma, encaixam-se melhor naquele que lhes conseguir extrair toda a sua função. As dúvidas mais comuns na compra de determinado modelo podem ser bastante específicas, mas por vezes a obsessão tolda-nos a capacidade de olhar por cima da cerca, e esse é um exercício que nos dá bastante gozo de concretizar.
Afinal de contas, todos os que já deram conselhos a algum amigo, rapidamente perceberam que a suas respostas eram muito maiores do que as perguntas. Ele só precisava de validação para seguir o seu intento, refutando todos os pragmatismos com a alma de quem já sonhou estar em cima da máquina escolhida. É assim que funciona! Da nossa parte podem esperar o conhecimento técnico alicerçado na experiência de quem já passou muitos quilómetros em cima de motos que viveriam facilmente nas nossas garagens. Não existem motos más. Existem sim, tiros mais ou menos certeiros. Podemos ajudar?




