A Flying Flea C6 já está à venda na Índia e deverá chegar à Europa em setembro. Surge como a primeira elétrica ligada à Royal Enfield, embora pertença à Flying Flea, uma marca criada dentro da empresa e dedicada exclusivamente às motos elétricas. Assim, inaugura uma nova fase tecnológica sem romper com a identidade histórica da marca-mãe.
Um nome que vem do campo de batalha
A apresentação aconteceu em Milão, na véspera da EICMA 2024, mas a história começa muito antes. Em 1942, o Exército Britânico procurava uma moto leve o suficiente para ser lançada de paraquedas. A Royal Enfield respondeu com a WD/RE, uma 125cc que descia do céu dentro de uma jaula tubular. Os paraquedistas chamaram-lhe “Pulga Voadora”, e o nome ficou. Por isso, a Flying Flea C6 não inventa uma tradição, recupera-a.

Uma frente que não existe em mais nenhuma elétrica
A C6 destaca-se logo na frente. Utiliza uma forqueta em paralelogramo de alumínio forjado, com articulações expostas e guarda-lamas articulado. Esta solução, comum até aos anos 1930, liga diretamente o modelo moderno ao seu antecessor militar, que usava um paralelogramo de aço prensado suspenso por elásticos. Ao mesmo tempo, demonstra que a Flying Flea não pretende seguir o design convencional das elétricas atuais.

Estrutura monopeça e bateria como elemento estrutural
A moto utiliza um exoesqueleto de alumínio forjado numa única peça, desde a coluna de direção até à escora traseira. Além disso, a bateria está alojada numa carcaça de magnésio aletada que funciona como parte estrutural. As alhetas, desenhadas para convergir num padrão central, simbolizam a fusão entre passado e futuro. A suspensão oferece 100 mm de curso à frente e 110 mm atrás, com jantes de 19 polegadas e pneus estreitos. Pesa 124 kg e está disponível em Verde Flea e Preto Storm.

Motor compacto e acelerações rápidas
O motor síncrono de íman permanente, refrigerado a ar, está montado ao centro e utiliza transmissão por correia. Debita 15,4 kW de potência máxima e 8 kW contínuos. A Royal Enfield distingue dois valores de binário: 60 Nm no motor e mais de 400 Nm na roda, após a transmissão. A velocidade máxima é de 115 km/h e as acelerações parciais mostram claramente a vocação urbana. A bateria de 3,91 kWh oferece 154 km no ciclo IDC, embora na prática seja sensato contar com cerca de 100 km. O carregador integrado funciona numa tomada comum e carrega a cerca de 1% por minuto, com pico de 2,2 kW.

Eletrónica que muda o jogo
A Flying Flea C6 inclui ABS em curva de dois canais, ABS traseiro desativável e controlo de tração sensível ao ângulo. Existem cinco modos de condução, um deles personalizável, que ajustam potência, resposta do acelerador, travagem e regeneração. A unidade de controlo, desenvolvida internamente, permite mais de 200 mil combinações de configuração. O painel é um TFT circular de 3,5 polegadas com Google Maps, Wi-Fi, Bluetooth, 4G, chave eletrónica e compartimento para smartphone com carregamento sem fios ou USB-C.

Preço na Índia e estimativa para a Europa
Na Índia, a Flying Flea C6 custa 279.000 rupias, cerca de 2.800 euros. Contudo, estes valores não se aplicam ao mercado europeu. Entre homologação, impostos e logística, as estimativas apontam para cerca de 5.000 euros quando chegar à Europa, previsivelmente em setembro. Se isso se confirmar, a C6 ocupará um espaço quase vazio: o de uma elétrica compacta, leve e acessível.

Um projeto desenvolvido de raiz
A produção decorre em Vallam Vadagal, no distrito de Kancheepuram, perto de Chennai. Aí, a Royal Enfield criou um departamento dedicado exclusivamente à Flying Flea, com laboratório elétrico construído em pouco mais de um ano. Baterias, motor e software passam por testes rigorosos, incluindo simulação de falhas. O projeto envolve mais de 200 engenheiros entre Índia e Reino Unido, 28 patentes e o desenvolvimento interno do motor, da bateria, do BMS e do software. Em resumo, a Flying Flea C6 mostra uma Royal Enfield que volta a arriscar, e que parece acertar novamente.




